O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube transferiu para 16 de janeiro, uma sexta-feira, a reunião que decidirá sobre o pedido de impeachment do presidente Julio Casares. O encontro estava marcado inicialmente para o dia 14, quarta-feira, mas houve alteração durante sessão realizada nesta quinta-feira (8).
Além da mudança de data, ficou definido que a participação dos 254 conselheiros habilitados ocorrerá exclusivamente de forma presencial, no estádio Morumbis.
Quórum elevado
Atendendo solicitação da defesa de Casares, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, aplicou o artigo 58 do Estatuto Social, que exige 75% de votos favoráveis para a destituição do mandatário. Com isso, o número mínimo necessário passou de 170 para 191 votos.
Próximos passos
Se o impeachment for aprovado, Ayres terá até 30 dias para convocar Assembleia Geral. Nesse intervalo, o vice-presidente Harry Massis Junior, 80 anos, assume o cargo interinamente. Na assembleia, bastará maioria simples dos sócios para confirmar ou rejeitar o afastamento definitivo.
Caso a destituição seja confirmada, Massis Junior concluirá o mandato até dezembro de 2026. A eleição para o triênio 2027/2028/2029 está prevista para o final de 2026.
Motivos do pedido
O processo de impeachment menciona suposta “administração temerária”, descumprimento de orçamento, falta de transparência nas contas e venda irregular de ingressos para camarotes.
Em dezembro, áudios divulgados pelo portal ge.com apontaram um possível esquema clandestino de comercialização de entradas no camarote presidencial do Morumbis em dias de shows. Após a revelação, Mara Casares, então diretora feminina, cultural e de eventos, e Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base, deixaram seus cargos.
Imagem: Reprodução
O clube instalou duas sindicâncias — uma interna e outra com auditoria independente — para apurar o caso e afirmou em nota que adotará “as medidas cabíveis” quando a investigação for concluída.
Investigação financeira
Outro ponto que pressiona Casares é a apuração da Polícia Civil sobre o recebimento de R$ 1,5 milhão em espécie e 35 saques que totalizam R$ 11 milhões em contas do São Paulo. A Secretaria da Segurança Pública informou que o inquérito tramita em sigilo no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).
Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam o dirigente, afirmaram que as movimentações citadas em relatório do Coaf têm origem “lícita e legítima” e são compatíveis com a evolução patrimonial de Casares.
Com a nova data e o quórum elevado, o futuro do presidente tricolor será decidido dentro de pouco mais de uma semana, sob forte atenção de conselheiros, sócios e torcedores.









































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