Torcedores da Escócia estão redefinindo prioridades financeiras e logísticas para acompanhar a seleção masculina na Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá em junho e julho nos Estados Unidos, Canadá e México. Trata-se da primeira participação escocesa no torneio desde 1998, assegurada pela vitória por 4 a 2 sobre a Dinamarca nos acréscimos, em novembro.
Reforma do banheiro dá lugar a viagem
O engenheiro Bruce Buchan, 36, de Balmedie, perto de Aberdeen, cancelou a reforma do banheiro que planejava com a esposa. O casal decidiu usar o valor economizado para levar os dois filhos aos três jogos da fase de grupos, marcados para Boston e Miami. “Nunca pensamos que isso fosse acontecer”, disse Buchan, que destinou £25 mil (R$ 180,6 mil) à viagem.
Prazo para ingressos se encerra em 13 de janeiro
O período de solicitação de bilhetes para os 104 confrontos – número recorde – termina em 13 de janeiro. Segundo a Fifa, a procura já supera a oferta em mais de 30 vezes, com mais de 150 milhões de pedidos.
Identidade nacional em jogo
Para muitos escoceses, o retorno à Copa vai além do esporte. O ex-jogador da seleção Pat Nevin afirma que o futebol exerce influência profunda na identidade do país. O primeiro-ministro John Swinney sugeriu um feriado bancário em 15 de junho, um dia após a estreia da equipe.
A Escócia sediou o primeiro jogo internacional de futebol em 1872 e marcou presença em cinco Copas consecutivas até 1998. Nevin recorda que cerca de 200 mil torcedores viajaram à Alemanha para a Eurocopa dois anos atrás e prevê movimento semelhante agora.
Outros estreantes e retornos
O torneio de 2026 também marcará a primeira participação de Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão. A Noruega, ausente desde 1998, chega otimista após liderar seu grupo nas eliminatórias e contar com o atacante Erling Haaland. “O país inteiro está feliz”, relatou Ole Kristian Sandvik, porta-voz da União Norueguesa de Torcedores, que também reclama dos altos custos.
Imagem: Reprodução
Custo elevado preocupa
Buchan calcula gastar quase £5 mil (R$ 36.122) apenas em ingressos, valor muito superior às £100 (R$ 722,45) pagas por bilhete na Euro 2024. Para reduzir despesas, planeja voar para Orlando, rota aérea mais barata que encontrou, com parada obrigatória na Disneylândia para agradar as crianças.
Entidades de torcedores acusam a Fifa de afastar o público comum ao elevar preços. Embora a federação tenha liberado nova leva de bilhetes a US$ 45 (R$ 325,10), a Associação de Torcedores de Futebol avalia que 90% do público continua arcando com valores “absurdos”.
A Fifa afirma que o modelo de preços segue a prática de grandes eventos esportivos nos países-sede. Para Pat Nevin, porém, a estratégia “é um tapa na cara” dos torcedores que tornam o futebol atrativo. “Eles estão sendo informados: ‘não precisamos de vocês’. E isso é doloroso”, concluiu.









































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