O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube se reúne nesta sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, a partir das 18h30 (horário de Brasília), para deliberar sobre o pedido de impeachment do presidente Julio Casares, 64 anos.
Por decisão liminar da juíza Luciane Cristina Silva Tavares, da 3ª Vara Cível do Butantã, a sessão será realizada em formato híbrido, com participação presencial no Salão Nobre do Morumbis e opção de voto on-line, ambos secretos. O estatuto tricolor prevê reuniões semipresenciais, e a medida foi celebrada pela oposição como vitória política. Recurso apresentado pelo clube contra a liminar foi negado na quarta-feira (14) pela juíza Mônica Rodrigues Dias de Carvalho, da 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Quórum e contagem de votos
Estão habilitados 254 conselheiros. Para a destituição de Casares, o estatuto exige quórum mínimo de 75% dos membros (191) e aprovação de dois terços dos votos válidos, ou seja, 171 manifestações favoráveis.
Quatro dos seis grupos que sustentavam o atual presidente — Legião, Vanguarda, Sempre Tricolor e Participação — deixaram a base governista e estimam reunir 128 votos pelo afastamento. Somados ao bloco oposicionista tradicional, a expectativa é de pelo menos 182 conselheiros inclinados ao impeachment.
O dirigente ainda conta com o apoio dos coletivos Força São Paulo e Movimento São Paulo, que, juntos, somam 67 cadeiras. Mesmo que todos votem pela permanência, o número máximo contrário ao desligamento alcançaria 67, o que deixaria até 187 votos a favor — 16 a mais que o necessário.
Vice-presidente votará pelo afastamento
Harry Massis Junior, 80, vice-presidente e conselheiro vitalício, já declarou voto pela saída de Casares. Caso o impedimento seja aprovado, ele assume interinamente o comando do clube. Empresário, Massis é sócio desde 1964 e proprietário do Hotel Massis, na região da Consolação, em São Paulo.
Se confirmado o impeachment, uma assembleia geral de cerca de 50 mil sócios deverá ser convocada em até 30 dias para ratificar ou derrubar a decisão, por maioria simples.
Imagem: Reprodução
Investigações e desgaste político
O avanço de apurações da Polícia Civil impulsionou o movimento pelo afastamento. As investigações, conduzidas pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) sob sigilo, analisam o recebimento de R$ 1,5 milhão em espécie e 35 saques que totalizam R$ 11 milhões em contas do São Paulo.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública confirmou que o procedimento segue em segredo de Justiça. A defesa do presidente, representada pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, afirma que as transações têm “origem lícita e legítima”, compatível com a evolução patrimonial de Casares, que teria obtido altos salários na iniciativa privada. Documentos e declarações fiscais serão apresentados ao longo do inquérito, segundo os defensores.
O dirigente já enfrentava desgaste desde o final do ano passado, quando vieram a público áudios sobre suposta venda clandestina de ingressos para um camarote reservado à presidência em dias de shows no Morumbi. No começo deste mês, o conselho consultivo, formado por ex-presidentes do clube e do Conselho Deliberativo, emitiu parecer contrário ao impeachment; porém, no mesmo dia, as suspeitas financeiras se tornaram públicas, provocando nova debandada de apoio.
A votação desta noite definirá se Julio Casares permanece no cargo ou se será imediatamente afastado, aguardando a decisão final dos sócios do São Paulo.









































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