O cinema brasileiro vive um momento de reconhecimento inédito no cenário internacional, mas as produções que abordam o futebol, a principal paixão esportiva do país, seguem sem alcançar as maiores premiações da indústria audiovisual.
Oscars e Globos de Ouro inéditos
No ano passado, o longa-metragem “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional — feito jamais obtido por uma produção nacional. Na mesma temporada, Fernanda Torres recebeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme Dramático pela atuação na obra.
Em 2026, os holofotes se voltaram para “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho. A produção foi eleita Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro, e Wagner Moura garantiu a estatueta de Melhor Ator em Filme Dramático.
Ambos os filmes têm como pano de fundo o regime militar brasileiro (1964-1985), temática que se mostrou atrativa para os votantes de grandes prêmios, aliada a roteiros sólidos, atuações consistentes e campanhas de divulgação robustas.
Futebol não conquista a elite das premiações
Apesar da relevância cultural do esporte no país, nenhuma produção brasileira sobre futebol chegou a disputar Oscars ou Globos de Ouro. O ponto mais alto foi a exibição de “Garrincha, Alegria do Povo” (1962) no Festival de Berlim de 1963, evento que entrega os cobiçados Ursos de Ouro e de Prata.
Em 2009, o crítico Inácio Araujo classificou o documentário de Joaquim Pedro de Andrade como “o melhor filme sobre futebol feito no Brasil — talvez no mundo”. Ainda assim, a obra não entrou no circuito das premiações de Hollywood.
Imagem: Reprodução
Produções marcantes, mas fora do pódio
Outros títulos brasileiros notáveis que tomam o futebol como eixo narrativo incluem:
- “Asa Branca” (1981)
- “Boleiros – Era Uma Vez o Futebol” (1998)
- “Pelé Eterno” (2004)
- “Ginga” (2005)
- “Campo de Jogo” (2015)
Embora recheados de paixão popular e estética apurada, especialistas apontam a ausência de arcos dramáticos robustos — envolvendo conflito, transformação e clímax — como um dos motivos para esses filmes não atingirem o padrão exigido pelas academias internacionais.
Esporte no Oscar: exceções sem bola de futebol
No topo das premiações, apenas três vencedores de Melhor Filme no Oscar mantêm ligação direta com o esporte: “Rocky” (1977) e “Menina de Ouro” (2005), ambos sobre boxe, e “Carruagens de Fogo” (1982), centrado no atletismo olímpico. Nenhum deles aborda o futebol.
Enquanto o cinema nacional comemora conquistas históricas, o desafio de transformar a narrativa futebolística em obra laureada internacionalmente continua em aberto.









































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