Paris – Kevin Sims, gerente nacional de fisioterapia da Tennis Australia, defendeu a adoção de “treinos inteligentes” para atletas adolescentes a fim de reduzir o risco de fraturas por estresse e outras lesões na coluna lombar. Em entrevista, o profissional com mais de três décadas de experiência em críquete, rúgbi, futebol e tênis analisou o quadro do brasileiro João Fonseca, 19, eliminado na terça-feira (20) na primeira rodada do Australian Open após abandonar competições preparatórias por dores nas costas.
Lesões frequentes na adolescência
Segundo Sims, fraturas por estresse são comuns entre 13 e 16 anos. “Uma estimativa razoável é que cerca de 30% dos jovens tenistas sofram esse tipo de problema”, disse. O fisioterapeuta destacou que o período de crescimento acelera a fragilidade óssea, aumentando a probabilidade de lesões se o treinamento for intenso demais.
O especialista afirma que a recuperação completa é fundamental. Caso a fratura cicatrize plenamente, não há repercussões futuras; porém, quando a consolidação não ocorre de forma adequada, o quadro pode evoluir para lesões bilaterais e dor crônica na vida adulta.
Tempo de recuperação
Em casos de fratura, a cicatrização leva em média 16 semanas. Já lesões ósseas em estágio inicial permitem retomada gradual de carga entre quatro e seis semanas, explicou. “Cada caso deve ser avaliado individualmente por exame de imagem antes de qualquer liberação para treinos”, afirmou.
Importância do planejamento
Sims defende alternar dias de alta intensidade, sessões leves e períodos de descanso absoluto — estratégia que ele chama de “luz e sombra”. Para ele, qualidade de treino supera quantidade: “É preciso permitir que o corpo se adapte e se recupere”.
Crescimento e maturação óssea
A densidade óssea atinge níveis adultos apenas por volta dos 22 anos, especialmente na região lombar. Por isso, mesmo aos 19, Fonseca ainda apresenta potencial de fortalecimento. O pico de velocidade de crescimento ocorre, em média, aos 12 anos nas meninas e aos 14 nos meninos.
Imagem: Reprodução
Influência da técnica de saque
O chamado “kick serve”, que exige maior extensão da coluna, eleva a carga sobre vértebras posteriores. Para minimizar o impacto, Sims recomenda variar o volume de saques, intercalar dias sem esse fundamento e trabalhar ajustes técnicos com o treinador.
Ao ser eliminado em Melbourne, Fonseca reconheceu não ter atuado em condições ideais: “Não joguei a 100%, mas isso me ajuda a entender meus limites”, declarou o carioca depois da derrota por 3 sets a 1 para o norte-americano Eliot Spizzirri. O tenista teve fratura por estresse aos 13 ou 14 anos e voltou a sentir dores no fim de 2025.
Sims concluiu que encontrar o ponto de equilíbrio entre treinamento intenso e recuperação na adolescência é decisivo para prolongar a carreira e evitar lesões crônicas.









































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