Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina têm início nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, com parte das instalações esportivas e de infraestrutura ainda inacabadas e sob pressão de entidades ambientalistas. A programação, que se estende até 22 de fevereiro, reúne aproximadamente 2.900 atletas de mais de 90 países em mais de cem provas distribuídas por sete cidades italianas.
Competição começa antes da cerimônia
As primeiras partidas de curling serão disputadas dois dias antes da cerimônia oficial de abertura, marcada para sexta-feira, 6, às 16h (horário de Brasília), no estádio San Siro, em Milão. Entre os convidados para levar a bandeira olímpica estará a ginasta brasileira Rebeca Andrade. O ministro do Esporte, André Fufuca, representará o governo brasileiro.
Maior delegação brasileira e chance de medalha
O Brasil participa com sua maior equipe em Jogos de Inverno: 14 atletas em cinco modalidades — esqui alpino, esqui cross-country, bobsled, skeleton e snowboard. A principal expectativa de pódio recai sobre Lucas Pinheiro Braathen, 25, nascido na Noruega e filho de brasileira, que compete nas provas de slalom e slalom gigante a partir de 14 de fevereiro. Ele soma 20 medalhas em etapas da Copa do Mundo e, após defender a Noruega, optou pelo Brasil em 2024. O melhor resultado brasileiro até hoje foi o nono lugar de Isabel Clark no snowboard, em 2006.
Obras atrasadas e custo bilionário
Esta é a quarta edição olímpica organizada pela Itália e a terceira de inverno, após Cortina (1956) e Turim (2006). Apesar das diretrizes de sustentabilidade da Agenda Olímpica 2020, parte dos projetos não foi concluída a tempo dos Jogos. A arena Santa Giulia, em Milão, erguida para o hóquei no gelo, ainda apresentava camarotes, área de alimentação e setores de imprensa incompletos no último fim de semana. Já em Cortina d’Ampezzo, o teleférico Apollonio–Socrepes, previsto para levar público às provas de esqui alpino feminino, corre risco de não entrar em operação.
Segundo a empresa pública Simico, responsável pelas obras, 98 intervenções estão ligadas aos Jogos — 47 em instalações esportivas e 51 em infraestrutura de transporte. Até agora, 40 foram concluídas, 29 seguem em execução, 27 permanecem em fase de projeto e duas estão em licitação. O investimento atinge 3,5 bilhões de euros (R$ 21,6 bilhões), cifra que não inclui a arena milanesa, erguida com recursos privados.
Críticas de ambientalistas
A ONG Legambiente declarou que o evento “fracassa em sustentabilidade ambiental e econômica” e denunciou a preferência por obras rodoviárias em vez de ferroviárias. A entidade lembra que 265 estações de esqui italianas estão desativadas — quase o dobro do total de 2020 — em razão da diminuição das nevadas nos Alpes, o que obriga o uso intensivo de neve artificial, elevando o consumo de água e energia.
Imagem: Reprodução
Sedes espalhadas e impacto nos deslocamentos
Para reduzir novas construções, as competições foram distribuídas por sete cidades, ainda que isso implique longos deslocamentos, principalmente entre Milão e Cortina, separadas por 400 km sem ligação ferroviária integral.
- Milão: esportes de gelo, como patinação e hóquei.
- Cortina d’Ampezzo: esqui alpino, bobsled, curling, skeleton e luge.
- Tesero e Predazzo: esqui cross-country, combinado nórdico e salto de esqui.
- Livigno e Bormio: esqui estilo livre, esqui de montanha, esqui alpino e snowboard.
- Antholz-Anteserva: biatlo e esqui cross-country.
Clima morno em Milão
Acostumada a grandes eventos de moda e design, Milão demonstra pouca empolgação popular. Ruas bloqueadas e escolas fechadas integram a rotina dos próximos dias, enquanto patrocinadores ocupam praças centrais com estruturas temporárias. Na segunda-feira, 2, ainda havia ingressos disponíveis para a cerimônia de abertura, custando entre 260 euros (R$ 1.604) e 2.026 euros (R$ 12.499). Uma promoção oferece dois bilhetes pelo preço de um para pessoas de até 26 anos.
Protestos e segurança
No sábado, 31 de janeiro, moradores protestaram contra a presença de agentes do braço investigativo do Immigration and Customs Enforcement (ICE) dos Estados Unidos. O governo italiano esclareceu que esses agentes atuarão apenas dentro do consulado norte-americano, no âmbito de inteligência. Os EUA formam a maior delegação dos Jogos, com mais de 230 atletas, e enviarão o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio para a cerimônia de abertura.
As competições terão transmissão no Brasil pela Globo, pelo SporTV e pela CazéTV.









































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