O curling, atração incomum para o público brasileiro que acompanha os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 em Milão-Cortina, ainda dá passos curtos no país. A modalidade dispõe de apenas uma pista oficial em todo o território nacional, instalada na Arena Ice Brasil, no bairro do Morumbi, em São Paulo.
Inaugurada em 2020, a arena é também a única estrutura regulamentada da América Latina. O espaço hospedou o primeiro Campeonato Brasileiro em solo nacional em 2022 e, além das competições, recebe iniciantes que desejam experimentar o esporte. A Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG) fornece calçados específicos — com sola aderente em um pé e deslizante no outro — e vassouras de fibra de carbono usadas para reduzir o atrito da pedra no gelo.
Histórico recente
O envolvimento brasileiro com o curling começou no fim dos anos 2000, quando residentes do país no Canadá passaram a representar o Brasil em torneios internacionais. As primeiras edições do Campeonato Brasileiro ocorreram em Vancouver a partir de 2015.
Hoje, a CBDG calcula cerca de 300 praticantes distribuídos entre Brasil, Canadá e alguns países europeus. “Apresentamos a modalidade aos interessados e os encaminhamos a clubes como o Clube Curling Brasil para iniciarem o aprendizado”, explica Tatiani Garcia, coordenadora de curling olímpico e paralímpico da entidade. Segundo ela, o foco atual é o desenvolvimento de atletas entre 9 e 21 anos.
Desafios e resultados
Apesar de levar à Itália a maior delegação de sua história — 14 atletas —, o Brasil nunca se classificou para o torneio olímpico de curling. A seleção nacional disputa a Série C do circuito internacional, equivalente à terceira divisão, etapa inicial do caminho rumo aos Jogos.
No ranking mundial, o país ocupa a 30ª posição entre as equipes femininas (de um total de 47), a 37ª no masculino (61) e a 42ª nas duplas mistas (52). A Suíça lidera o quadro feminino, enquanto a Escócia encabeça o masculino e as duplas.
Imagem: Reprodução
Entre os principais feitos brasileiros está a vitória por 6 a 4 sobre a Alemanha nos Jogos de Inverno da Juventude de 2024, na Coreia do Sul — o primeiro triunfo do Brasil em uma competição olímpica da modalidade. No curling em cadeira de rodas, a seleção estreou no Mundial de 2025, na Escócia, e foi uma das duas equipes a derrotar o Japão, campeão do torneio.
Infraestrutura limitada
A dependência de apenas uma pista oficial ficou evidente na primeira semana dos Jogos de 2026; problemas na máquina canadense que produz o gelo interromperam treinos e partidas na Arena Ice Brasil. “O curling brasileiro ainda está em construção”, resume Fernanda Tieme Marques, diretora da CBDG e campeã nacional em 2025.
Como funciona o jogo
• A pista mede 45 metros de comprimento por 5 metros de largura.
• Partidas masculinas e femininas têm dez “ends” — equivalentes a sets.
• Cada equipe, formada por quatro jogadores, lança oito pedras de granito de até 20 kg por end.
• Após o lançamento das 16 pedras, vence o end o time cujas pedras estejam mais próximas do centro do alvo, chamado de “botão”.
Conhecido internacionalmente como “xadrez no gelo”, o esporte exige estratégia, precisão e trabalho em equipe. No Brasil, porém, ainda depende de ampliar estrutura e base de praticantes para sonhar com uma participação olímpica.









































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