O Comitê Olímpico do Brasil (COB) fechou 2025 com faturamento de R$ 594 milhões, o maior dos últimos cinco anos, porém 75% desse montante veio de repasses de loterias. O presidente da entidade, Marco Antônio La Porta, afirma que reduzir essa dependência é prioridade da atual gestão, iniciada em dezembro de 2024.
“Precisamos estar preparados para cenários em que o governo, por questões fiscais, decida alterar as leis que destinam recursos ao esporte”, declarou o dirigente à Folha de S.Paulo. O receio tem precedentes: em 2019, a transferência de verbas chegou a ser interrompida depois de a Caixa apontar pendência tributária da Confederação Brasileira de Vela, liberação que só ocorreu após intervenção federal.
Em 2021, a vulnerabilidade atingiu o ápice, quando 91,9% da arrecadação do COB se originou das loterias. La Porta, eleito após disputa acirrada com o ex-presidente Paulo Wanderley, propôs diversificar as fontes de recursos, buscar patrocinadores privados e recuperar marcas que se afastaram após os Jogos do Rio-2016. O contrato fechado recentemente com a Adidas é citado pelo dirigente como o principal avanço comercial do primeiro ano de gestão.
Equilíbrio orçamentário
O presidente também herdou um déficit de R$ 78 milhões, causado pela elevação do repasse às confederações de 45% para 60% das receitas de loterias. Segundo La Porta, o rombo foi coberto por um fundo de reserva e pela entrada de verbas das apostas esportivas, permitindo encerrar 2025 em equilíbrio e projetar superávit de R$ 8 milhões em 2026, mantendo o percentual destinado às confederações.
Ações no Congresso
Entre as pautas no Legislativo, o COB defende a regulamentação das apostas esportivas e isenção de impostos para importação de material, medidas consideradas essenciais para reduzir custos de atletas e confederações. A entidade também liderou a articulação que resultou na aprovação da nova Lei de Incentivo ao Esporte, relatada pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) e pela senadora Leila Barros (PDT-DF).
Imagem: Reprodução
Centros de treinamento e saúde mental
A organização trabalha em um sistema de certificação de centros de treinamento fora do Sudeste, inspirado em modelos internacionais, cujo desenho deve ser concluído em 2026. Paralelamente, mantém programas de orientação psicológica desde as categorias de base para lidar com a pressão das redes sociais e com a cobrança por resultados.
Atletas de olho em Los Angeles-2028
O COB acompanha de perto competidores que ficaram próximos do pódio em Paris-2024. Hugo Calderano (tênis de mesa), Marcus Vinicius D’Almeida (tiro com arco), Ana Sátila (canoagem slalom) e Miguel Hidalgo (triatlo) recebem apoio específico, como mudanças de local de treinamento e consultoria biomecânica, a fim de transformar boas campanhas em medalhas nos Jogos de Los Angeles.
Outros temas
Sobre participação de atletas transgênero, o comitê adota as orientações do Comitê Olímpico Internacional, que delega às federações a definição de critérios, sempre com foco em inclusão, justiça e segurança. Já em relação ao cenário geopolítico, La Porta não acredita em boicotes aos Jogos de 2028 nos Estados Unidos, avaliando que o esporte mantém capacidade de unir países mesmo em meio a tensões internacionais.









































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