Lisboa – O jornal português Correio da Manhã noticiou, na tarde desta quinta-feira (26), que o argentino Gianluca Prestianni teria confessado a colegas do Benfica ter chamado o brasileiro Vinicius Junior de “mono” (“macaco”, em espanhol) durante a partida contra o Real Madrid, realizada em 17 de fevereiro pela Champions League.
Pouco depois da publicação, o Benfica divulgou nota oficial negando “categoricamente” que o atacante tenha admitido a ofensa dentro do elenco ou à direção do clube. O comunicado acrescenta que Prestianni pediu desculpas aos companheiros pelo episódio, reiterou não ser racista e lamentou a repercussão do caso.
Versões conflitantes
Segundo o canal de televisão do Correio da Manhã, um dos líderes de audiência em Portugal, o jogador admitiu a palavra “mono” “desde a primeira hora”, justificando que a expressão foi dita “no calor da discussão” após provocações em campo. A emissora afirma que, mesmo assumindo o insulto, o atleta negou ter motivações racistas.
Repercussão e investigação
Vinicius Junior denunciou a injúria ainda durante o jogo, o que obrigou o árbitro a acionar o protocolo antirracismo e a interromper o confronto. A Uefa abriu investigação e suspendeu Prestianni por uma partida por “violação prima facie”, indicando que, com o material disponível, considera a ofensa plausível.
O principal elemento do processo são depoimentos de jogadores, entre eles o francês Kylian Mbappé, que declarou ter ouvido a palavra “mono” cinco vezes. Até o momento não surgiram gravações de áudio ou vídeo que registrem a injúria, mas a jurisprudência da Uefa aceita provas testemunhais para punir atos de racismo.
Imagem: Reprodução
Consequências esportivas e legais
No âmbito esportivo, precedentes apontam para punições mais severas após a conclusão das apurações: em 2021, o tcheco Ondrej Koudela recebeu dez jogos de suspensão por ofensas racistas. Fora de campo, a denúncia de Vinicius impulsionou uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos que pretende endurecer a lei portuguesa contra discriminação.
Mesmo suspenso, Prestianni viajou com o Benfica a Madri para a partida de volta do mata-mata, disputada na quarta-feira (25). O clube foi eliminado após derrota decidida por gol de Vinicius Junior.
O artigo 14 do Código Disciplinar da Fifa prevê suspensão mínima de dez jogos para atletas que cometam atos racistas. Clubes podem ser multados em até 5 milhões de francos suíços (cerca de R$ 34 milhões), além de sofrer perda de pontos, partidas com portões fechados ou exclusão de competições caso sejam considerados coniventes.









































Adicionar comentário