Começou nesta terça-feira (3) a contagem regressiva de 100 dias para a Copa do Mundo de 2026, que será a maior da história: 48 seleções, 104 partidas e 16 sedes distribuídas por Estados Unidos, Canadá e México.
A complexidade logística, por si só inédita, ganhou novos contornos com tensões internas nos países anfitriões e um quadro geopolítico turbulento. O jogo de abertura, entre México e África do Sul, está marcado para 11 de junho, no estádio Azteca, na Cidade do México.
Pressões nos Estados Unidos
Nos últimos meses, questões políticas eclipsaram o debate esportivo. A relação comercial entre Washington e seus vizinhos sofreu abalos após a imposição de tarifas pelo então presidente Donald Trump. Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte norte-americana considerou as tarifas ilegais, golpeando a política econômica do republicano.
Além disso, o endurecimento da imigração congelou a emissão de vistos para cidadãos de 75 países, incluindo quatro já classificados para o Mundial — Haiti, Costa do Marfim, Senegal e Irã.
A gestão Trump ainda provocou atrito com a União Europeia ao ameaçar anexar a Groenlândia. Clubes e federações europeias chegaram a discutir um eventual boicote, mas a Federação Alemã de Futebol negou publicamente essa possibilidade, citando o “poder unificador do esporte”.
Conflito no Oriente Médio
No sábado (28), uma operação militar conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã agravou a instabilidade. Forças iranianas retaliaram, atingindo alvos norte-americanos e instalações em Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
A ofensiva resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Horas depois, o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, afirmou ser “improvável” a presença da seleção no torneio. A Fifa não comentou.
Imagem: Reprodução
Se confirmada, a desistência seria a primeira desde 1950. O Irã tem jogos agendados em solo norte-americano: contra a Nova Zelândia (15 de junho, em Los Angeles), Bélgica (21, também em Los Angeles) e Egito (26, em Seattle). Há ainda a chance de enfrentar os EUA na fase eliminatória, caso ambos terminem em segundo lugar em seus grupos.
Violência no México e pontos de interrogação
A possibilidade de transferir partidas do Irã para o México circulou na imprensa internacional, mas o país enfrenta uma nova onda de violência após a morte do narcotraficante Nemesio Oseguera, o “El Mencho”. Desde então, o Cartel Jalisco Nova Geração promove uma série de ataques.
Diante do cenário, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, descartou mudanças na sede dos confrontos de repescagem, previstos para este mês em Jalisco e Monterrey. “Temos plena confiança nas autoridades mexicanas e na presidente Claudia Sheinbaum”, declarou.
O minitorneio começa em 26 de março, com Jamaica x Nova Caledônia e Bolívia x Suriname. No dia 31, Iraque e República Democrática do Congo encaram os vencedores. Restam seis vagas para a Copa: duas nessa repescagem mundial e quatro na repescagem europeia.
Enquanto grandes estrelas como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo se preparam para a provável última participação em um Mundial, dirigentes e organizadores lidam com um tabuleiro político que ameaça ofuscar o futebol a apenas três meses do apito inicial.









































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