O aperto regulatório inaugurado em 1º de janeiro de 2025 diminuiu drasticamente a presença de sites de apostas esportivas nos uniformes da Série A do Campeonato Brasileiro. Se na temporada 2025 dezoito dos vinte clubes exibiam marcas de bets no espaço principal da camisa, a edição 2026 registra seis equipes sem esse tipo de patrocinador: Santos, Vasco, Bahia, Internacional, Grêmio e Coritiba.
Internacional e Grêmio romperam com a Alfa Bet após atrasos de pagamento. Santos e Bahia rescindiram, em comum acordo, com 7K Bet e Viva Sorte Bet, respectivamente. Vasco e Coritiba não renovaram com Betfair e Reals Bet. Até o momento, apenas o Santos fechou novo acordo máster—também com uma operadora de apostas—por valores anuais cerca de 30% inferiores ao contrato anterior.
Custos maiores, margens menores
Segundo o advogado Gustavo Biglia, especialista em jogos e apostas, a Lei nº 14.790/2023 impôs licença obrigatória e tributação completa às companhias do setor. A norma fixou:
- taxa de outorga de R$ 30 milhões para autorização de cinco anos;
- alíquota de 12% sobre a receita bruta (GGR), além de PIS, Cofins e ISS;
- imposto de 15% sobre prêmios líquidos que ultrapassem R$ 2.259,20 para os apostadores.
“Antes não havia exigência de autorização nacional nem carga tributária tão ampla, o que facilitava investimentos agressivos em marketing”, explicou Biglia.
Para Gustavo Afonso Ribeiro e Lacerda, fundador da Ana Gaming, o aumento de impostos levou as empresas a rever estratégias. “Os investimentos no esporte seguem valiosos, mas agora precisam ser mais eficientes”, disse.
Busca por eficiência
O professor de marketing do Insper Eduardo Corch afirma que, após um ciclo de forte exposição, as casas de apostas passaram a priorizar ações de retorno mensurável. O maior custo para adquirir clientes e a concorrência elevada pressionam as margens, obrigando realocação de verbas.
Pietro Cardia Lorenzoni, diretor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias, projeta concentração de investimentos em um número menor de operadoras. “Houve aporte inicial expressivo, mas o mercado amadurece e a redução é natural”, observou.
Imagem: Reprodução
Exceções e valores em alta
Mesmo com o recuo geral, o Corinthians renovou seu vínculo com a Esportes da Sorte até dezembro de 2029. O pagamento anual subiu de cerca de R$ 100 milhões para R$ 150 milhões, podendo alcançar R$ 200 milhões conforme metas esportivas.
Para o consultor José Sarkis Arakelian, ainda existe “uma bolha” no que alguns clubes recebem das bets, mas a tendência é de queda conforme o mercado se estabiliza.
Combate a sites ilegais
A nova legislação também intensificou ações contra plataformas irregulares. Em 2025, a Anatel retirou do ar aproximadamente 25 mil endereços eletrônicos sem autorização. Lacerda considera a medida fundamental para proteger consumidores e valorizar empresas que atuam dentro das regras.
Especialista em direito aplicado às apostas, Leonardo Henrique Roscoe Bessa avalia que a conformidade legal será determinante para a permanência das marcas: “A curto prazo, o dinheiro garante visibilidade; no longo prazo, a integridade diferencia”.
Com menos operadoras aptas a investir, clubes e agentes de marketing já percebem menor disputa por espaço e, consequentemente, ofertas mais baixas pelos patrocínios de camisa.









































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