Lausana (Suíça), 24.mar.2026 – A Associação Europeia de Torcedores de Futebol (Football Supporters Europe – FSE) e o grupo de defesa do consumidor Euroconsumers entregaram nesta terça-feira (24) uma denúncia formal à Comissão Europeia contra a Fifa. As entidades acusam a federação de explorar seu poder de monopólio para cobrar valores “exorbitantes” pelos ingressos da Copa do Mundo de 2026 e adotar procedimentos de venda considerados “opacos e desleais”.
Segundo o documento encaminhado a Bruxelas, a Fifa descumpriu projeções apresentadas durante a candidatura norte-americana – que previa preço médio de US$ 1.408 – e elevou substancialmente as tarifas praticadas. Para a final de 19 de julho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA), o bilhete mais barato custa US$ 4.185 (cerca de R$ 21.900), valor sete vezes superior ao cobrado na decisão do Catar-2022.
Comparações e críticas
A FSE lembra que o tíquete mais barato para a final da Euro-2024 saiu por 95 euros (aproximadamente US$ 100, ou R$ 523). Já a candidatura dos Estados Unidos, Canadá e México havia prometido ingressos a partir de US$ 21; na prática, o menor preço oferecido ficou em US$ 60, caso da estreia do Grupo J entre Áustria e Jordânia, no Levi’s Stadium, Califórnia.
“A Fifa detém o monopólio da venda e impõe condições impossíveis em um ambiente concorrencial”, afirmam as organizações. Elas pedem à Comissão Europeia que obrigue a entidade a:
- abandonar o chamado “preço dinâmico”,
- congelar as tarifas nos níveis anunciados em dezembro para a próxima etapa de vendas, prevista para abril,
- divulgar, com pelo menos 48 horas de antecedência, a quantidade de ingressos restantes por categoria.
Mercado e limite de compra
A Fifa colocou quase 7 milhões de bilhetes à disposição do público. Cada comprador pode adquirir no máximo quatro ingressos por partida e 40 para todo o torneio, que ocorrerá de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá. Será a primeira edição com 48 seleções e 104 jogos.
Em partidas de maior apelo, a maior parte dos assentos custa a partir de US$ 200. Na plataforma oficial de revenda, um lugar de categoria três para a final chegou a ser anunciado por US$ 143.750 (R$ 752 mil), mais de 41 vezes o preço original de US$ 3.450.
Imagem: Reprodução
Posicionamento da Fifa
O presidente da entidade, Gianni Infantino, atribui os valores à alta procura. “Nos Estados Unidos existe o sistema de preços dinâmicos: sobem ou descem conforme o interesse do torcedor”, declarou recentemente.
Falta de transparência
A denúncia aponta ainda que, no momento da compra, o torcedor não recebe garantia sobre localização dos assentos, mapas dos estádios ou mesmo quais seleções entrarão em campo. O mercado secundário também preocupa: é desregulamentado nos Estados Unidos e no Canadá, enquanto no México a revenda acima do valor nominal só é proibida quando a compra é feita no país e paga em moeda local.
Em dezembro, a FSE já havia pedido à Fifa a abertura de uma mesa de diálogo para buscar uma solução que mantivesse a “tradição, universalidade e alcance cultural” do Mundial. Sem retorno, as entidades recorreram agora ao órgão antitruste da União Europeia, que analisará se a federação violou as regras de concorrência do bloco.









































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