O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) estabeleceu a meta de transformar o país na principal potência mundial dos Jogos Paralímpicos e ultrapassar a China, líder do quadro de medalhas nas últimas seis edições. Para alcançar o objetivo, a entidade pretende aumentar de 98 para 550 o número de centros de referência responsáveis por identificar e desenvolver novos atletas em todo o território nacional.
Rede de captação e desenvolvimento
Os centros funcionam como porta de entrada para quem demonstra potencial esportivo. Segundo o CPB, ampliar essa estrutura é essencial para garantir um fluxo contínuo de atletas prontos a brigar por pódio em futuras edições dos Jogos.
Promessas já em evidência
Entre os talentos descobertos pela iniciativa está o velocista Fabrício Klein, 16. Em sua estreia oficial, o atleta da classe T37 conquistou três medalhas de ouro e já figura entre os oito melhores tempos do país nos 100 m e 200 m. Nascido com anemia falciforme, ele sofreu cinco AVCs isquêmicos, passou por 29 internações e chegou a usar cadeira de rodas. A recuperação veio em 2017, após um transplante de medula doado pelo irmão Gabriel, que tem deficiência visual e também compete. Preparado para a pressão de alto nível, Klein mira os Jogos de Los Angeles, em 2028.
No tatame, a cearense Wiliany Vitória Costa do Nascimento, 17, desponta como aposta do judô – modalidade tradicionalmente forte para o Brasil e que rendeu ao país o quinto lugar geral em Paris-2024. Portadora de deficiência visual, ela deixou o interior do Ceará para viver em São Paulo com uma família de origem alemã em busca de melhor estrutura. Desde 2024, acumula resultados que a colocam na rota de medalha nos próximos Jogos.
A natação também conta com reforço promissor. Alessandra Oliveira, 17, da classe S5, ficou fora de Paris por falta de preparo emocional, mas venceu duas provas no Mundial de Singapura-2025 e agora se considera pronta para competir em Los Angeles. A atleta sofreu amputações parciais nos membros após reação a uma vacina na infância.
Imagem: Reprodução
O processo de descoberta começa cada vez mais cedo. Inspirada por um documentário, a paulistana Paloma Morales Gatti, 10, passou por várias modalidades – da esgrima ao arremesso de peso – e atualmente treina atletismo em cadeira de rodas, exemplificando o perfil de jovens que entram no sistema antes da adolescência.
Foco na evolução gradual
O CPB reforça que os novos talentos devem seguir etapas de desenvolvimento sem pressão excessiva por resultados, preservando a saúde emocional enquanto aprendem a lidar com vitórias e derrotas. A estratégia combina ampliação da base, acompanhamento técnico especializado e suporte psicológico para formar atletas competitivos e, ao mesmo tempo, equilibrados.
Com o plano de expansão em curso, a entidade acredita que o aumento da rede de centros de referência – somado ao desempenho de nomes como Fabrício, Wiliany, Alessandra e Paloma – poderá colocar o Brasil na liderança do paradesporto mundial já na próxima década.









































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