São Paulo – A jornalista esportiva Marina Izidro, que vive em Londres e já cobriu oito edições dos Jogos Olímpicos, duas Copas do Mundo e finais da Champions League, contou ter sido alvo de um comentário machista em um pequeno mercado da capital britânica na semana passada.
Izidro relatou que, ao comprar uma vassoura acompanhada do marido, ouviu do atendente – que não parecia ser inglês – a pergunta: “Foi sua mulher que te falou para comprar, né?”. Surpresa, a jornalista questionou o motivo da observação e deixou o local indignada. Segundo ela, o episódio arruinou o domingo, mesmo com a tentativa do marido de minimizar o impacto da situação.
No texto, publicado nesta segunda-feira (data original 2026), a repórter compara o caso pessoal à recente polêmica envolvendo Neymar. Durante partida no Brasil, o atacante afirmou que o árbitro “estava de chico” – expressão que associa a menstruação a algo pejorativo e, de acordo com especialistas, tem origem na palavra “chiqueiro”.
Para Marina Izidro, o debate não depende do conhecimento da etimologia da frase. “Usar uma característica feminina para diminuir alguém é errado”, escreveu, citando exemplos como “estar de TPM” ou “coisa de menina”. A jornalista considera que normalizar esse tipo de fala exclui mulheres de ambientes esportivos e, em casos extremos, incentiva violência física e feminicídio.
A colunista também criticou a reação de parte do público, que classificou as queixas como exagero. Ela disse ter se sentido frustrada ao ver homens desqualificando a discussão e mulheres chamando as que se sentiram ofendidas de “mal-amadas”.
Imagem: Reprodução
Izidro destacou, porém, que a controvérsia levou alguns homens a refletirem e a apoiar o posicionamento das mulheres contra comentários misóginos. “É impossível evoluir como sociedade enquanto se continua a relativizar ou a rotular de ‘mimimi’ o desconforto feminino”, afirmou.
Ao comentar o vídeo em que Neymar tenta se explicar, Marina observou que o jogador não pediu desculpas nem prometeu mudar de postura. Para ela, a situação reforça a necessidade de reconhecer a gravidade de manifestações sexistas no esporte e na vida cotidiana.
A jornalista encerrou o texto lembrando que a capacidade de menstruação está diretamente ligada à geração de vidas, frisando que todos dependem desse processo biológico para existir.









































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