O Olympique Lyonnais incluiu em seu mais recente relatório financeiro uma cobrança de €126,2 milhões (cerca de R$ 727 milhões) contra o Botafogo SAF. O documento, publicado nesta terça-feira (12), também acusa John Textor — controlador das duas SAFs — de ter colocado o clube francês como fiador em empréstimos contraídos pelo próprio Botafogo e pelo belga RWDM Brussels, outro ativo do executivo norte-americano.
O que diz o balanço do Lyon
- O Lyon registrou “perdas por impairment” de €126,2 mi relativas a créditos a receber do Botafogo.
- O total de depreciação, amortização e provisões líquidas saltou para €158,6 mi em 31/12/2025, ante €47,6 mi no ano anterior.
- No entendimento dos franceses, há risco de inadimplência envolvendo “partes relacionadas” — termo que inclui empresas controladas por Textor.
- O clube afirma não ter sido informado previamente nem ter recebido as garantias referentes a futuras vendas de jogadores do Botafogo.
Garantia contestada
Segundo o Lyon, existe uma garantia sob legislação inglesa, firmada em abril de 2025, que o obriga a cobrir até €30 mi de um empréstimo tomado pela SAF alvinegra. Desse montante, o beneficiário já teria direito de exigir €14,8 mi. Os franceses alegam que o suposto crédito vinculava-se a transferências de atletas entre os dois clubes que “nunca chegaram a ocorrer”.
A reação do Botafogo
Do outro lado, o Botafogo mantém na Justiça uma ação cobrando R$ 745 milhões do Lyon. O clube carioca alega valores não repassados em operações dentro do grupo Eagle Football, que reúne as duas SAFs. Até o momento, a diretoria de General Severiano não comentou oficialmente as novas acusações presentes no balanço francês.
Impacto esportivo
A disputa ocorre em meio à preparação do Botafogo para a sequência da temporada. Depois de liderar grande parte do Brasileirão 2023 e ver o título escapar nas rodadas finais, o clube alvinegro busca estabilidade dentro e fora de campo. Problemas financeiros podem afetar o fluxo de caixa destinado a reforços e à manutenção do elenco para as fases decisivas da Libertadores e do Campeonato Brasileiro.
Já o Lyon, que vive temporada irregular na Ligue 1, tenta equilibrar as contas sob novo comando técnico. O rombo contábil de mais de €80 milhões em comparação ao exercício anterior pressiona a direção francesa a encontrar soluções rápidas — seja por meio de acordos, seja pela venda de ativos no mercado de verão europeu.
Imagem: Reprodução / OddsNEWS
Próximos capítulos
Sem sinal de acordo imediato, a tendência é que a questão seja resolvida na esfera arbitral ou nos tribunais ingleses, onde as garantias foram registradas. Para o torcedor, o desfecho interessa não apenas pelo valor envolvido, mas também pelo potencial reflexo em investimentos futuros nas duas equipes.
A batalha jurídica adiciona um obstáculo extra à já complexa gestão multiclubes de John Textor, que novamente terá de dividir atenções entre gramados e salas de audiência.









































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