A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) voltou a reunir os clubes, na segunda rodada de discussões sobre a futura Liga, para detalhar um pacote de mudanças nos horários do Campeonato Brasileiro. Com base em um estudo que avaliou todas as partidas entre 2023 e 2025, a entidade concluiu que jogos às 19h, no meio de semana, e após as 20h, aos domingos, registram público abaixo da média e devem ser riscados do calendário.
Por que mexer no relógio do Brasileirão?
Segundo a CBF, a prioridade histórica foi conciliar interesses de detentores de direitos, intervalos mínimos de 66 horas e segurança pública. A presença de público, admite a entidade, acabou em segundo plano. O novo levantamento criou um coeficiente que relaciona horário, praça e média de torcedores de cada clube, revelando que faixas diurnas atraem mais gente — especialmente no domingo às 16h, responsável por 17% dos jogos e a melhor performance de arquibancada.
A comparação com ligas europeias reforçou a leitura de que o calendário brasileiro é “excessivamente noturno”. Premier League, La Liga e Bundesliga concentram a maior parte de seus jogos antes das 18h locais.
O que a CBF propõe
- Priorizar horários diurnos, ampliando a janela das 11h de domingo onde clima permitir.
- Eliminar a faixa das 19h em terças, quartas e quintas-feiras.
- Proibir partidas após 20h nos domingos — o sábado à noite seguiria disponível.
- Reduzir choques entre Séries A e B, evitando concorrência direta de audiências e torcedores.
- Manter o intervalo mínimo de 66 horas e ajustes de segurança para clubes da mesma cidade.
Impacto esportivo e financeiro
Ao colocar o torcedor no centro da grade, a CBF espera estimular bilheteria, consumo em dias de jogo e atmosfera de estádio, pontos valorizados por patrocinadores e emissoras. Para os clubes, arquibancada cheia significa receita direta maior num momento em que direitos de TV perdem peso relativo na composição orçamentária.
A mudança também pode favorecer jogadores e comissões técnicas: jogos mais cedo reduzem desgastes de viagens noturnas e possibilitam maior janela de recuperação, especialmente para equipes que conciliam competições continentais.
Imagem: Felipe Sacramento Clube do Ro
Próximos passos
As propostas fazem parte de um pacote que a CBF quer aprovar antes de discutir divisão de receitas na nova Liga. Representantes dos clubes devem analisar o impacto logístico, contratos com TVs e possíveis exceções climáticas, antes de uma votação final. A expectativa é que o novo modelo passe a valer já na montagem da tabela de 2027, caso haja consenso.
Até lá, a discussão sobre horários continuará no centro das reuniões, visto que a entidade considera a medida crucial para “mudar a cara” do Brasileirão e ampliar o valor do produto no mercado interno e internacional.
Competições Relacionadas
Acompanhe como está seu time de coração nos principais campeonatos do futebol brasileiro e sul-americano.








































Adicionar comentário