TAIPEI – O norte-americano Alex Honnold atingiu no sábado (24) o topo dos 508 m do Taipei 101, em Taiwan, escalando a fachada sem qualquer equipamento de segurança. A subida foi exibida pela Netflix com alguns segundos de atraso para permitir eventual edição de imagens em caso de acidente.
Durante pouco mais de uma hora, o público acompanhou o atleta de 38 anos alternar movimentos delicados e arriscados. Em certos trechos, Honnold ficou pendurado apenas pelas pernas ou por uma das mãos e chegou a acenar para quem o observava da rua ou das janelas dos 101 andares do arranha-céu.
Modalidade extrema
A escalada sem cordas — conhecida como free solo — baseia-se exclusivamente na força dos dedos, resistência muscular e preparação mental. O próprio Honnold popularizou a prática ao protagonizar o documentário “Free Solo”, vencedor do Oscar em 2019, que registrou sua ascensão de 910 m na parede El Capitan, no Parque Yosemite (EUA).
Com o projeto batizado de “Skyscraper”, a Netflix pagou ao atleta mais de US$ 500 mil. Após a descida, Honnold declarou considerar o cachê modesto se comparado ao patrocínio de esportistas de outras modalidades.
Preocupações sobre influência
A exibição reacendeu o debate sobre a exposição de feitos de alto risco diante de grandes audiências. Escaladores temem que espectadores tentem repetir manobras sem preparo. Anderson Lima, referência brasileira no free solo, afirma que “o espetáculo ajuda a financiar o esporte, mas pode estimular tentativas irresponsáveis”. Segundo ele, muitos não compreendem o treinamento necessário para reduzir perigos.
Precursores nos arranha-céus
Honnold não é o primeiro a usar fachadas urbanas como rota vertical. O francês Alain Robert, 63, escalou estruturas famosos como o Burj Khalifa (828 m, com cordas) e as Torres Petronas (452 m, com proteção imposta pelas autoridades), além do Edifício Itália (165 m), em São Paulo, onde acabou detido.
Imagem: Reprodução
Outro pioneiro, o americano Dan Goodwin, subiu em 1986 a CN Tower, em Toronto. Ele alcançou os 553 m da antena, mas recusou registrar o feito completo no Guinness por entender que parte do trajeto se deu por uma escada interna, somando “apenas” 335 m em estilo livre.
Mesmo com histórico de conquistas de alto risco, especialistas ressaltam que cada tentativa envolve planejamento minucioso. No caso do Taipei 101, a fachada ornamentada exigiu de Honnold manobras em negativo — quando o corpo fica projetado para fora —, aumentando a complexidade do desafio.
Após concluir a escalada sem incidentes, o americano desceu por elevadores internos e reiterou que pretende continuar buscando rotas urbanas e naturais que desafiem os limites do free solo.









































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