O Benfica e o técnico José Mourinho tornaram-se alvo de reprovação pública pela postura adotada diante da acusação de racismo feita por Vinicius Junior contra Giangluca Prestianni, durante a vitória do Real Madrid por 1 a 0, na terça-feira (17), no Estádio da Luz, em Lisboa.
Logo após marcar o gol da partida de ida do mata-mata que vale vaga nas oitavas de final da Champions League, o atacante brasileiro relatou ter sido chamado de “mono”, palavra espanhola para “macaco”. O árbitro francês François Letexier chegou a interromper o jogo.
Defesa do clube e fala de Mourinho
Em comunicado, o Benfica sustentou que, “dada a distância”, os atletas espanhóis não poderiam ter escutado qualquer ofensa. Na entrevista pós-jogo, Mourinho sugeriu que a comemoração de Vinicius – uma dança junto à bandeira do escanteio adornada com o símbolo benfiquista – teria provocado a reação adversária: “Quando se marca um gol daqueles, não vai mexer com o coração do estádio adversário”, declarou.
Reações de ex-jogadores e treinadores
As declarações geraram protestos. O belga Vincent Kompany, técnico do Bayern de Munique, afirmou que Mourinho “ataca o caráter de Vinicius Junior para desacreditá-lo” e criticou a menção a Eusébio como argumento de que o clube não seria racista. O francês Lilian Thuram e o ex-capitão benfiquista Luisão reproduziram a censura. Este último, em postagens nas redes sociais, lamentou o posicionamento oficial e disse já ter sofrido ofensas após se manifestar.
Coletiva cancelada e investigação da Uefa
Marcada para esta sexta-feira (20), a coletiva de Mourinho foi cancelada. No lugar, o Benfica publicou em seu site declarações do treinador sobre a equipe, citando Prestianni apenas para informar que o argentino cumprirá suspensão contra o AVS pelo Campeonato Português.
A Uefa abriu investigação sobre o episódio, mas ainda não divulgou conclusões. A partida de volta entre Real Madrid e Benfica ocorrerá na próxima quarta-feira (25), no Estádio Santiago Bernabéu, em Madri.
Imagem: Reprodução
Gestos racistas nas arquibancadas
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram torcedores do Benfica imitando macacos após o gol de Vinicius. Diante da pressão, a diretoria anunciou apuração interna e prometeu expulsar do quadro social quem for identificado praticando atos discriminatórios.
Posicionamento de especialista
Para o advogado André Megale, ex-diretor de compliance da CBF, justificar ofensa racista pela comemoração do jogador “equivale a dizer que uma menina de minissaia merece ser estuprada”. Ele defende que clubes adotem programas próprios de prevenção, ainda que federações forneçam diretrizes gerais.
Iniciativas anteriores e expectativa
Embora não disponha de documento específico sobre o tema, o Benfica já promoveu ações pontuais, como o evento educativo “Show racism the red card”, em 2020, via Fundação Benfica. Procurado, o presidente da entidade, Carlos Moia, não se pronunciou por estar fora do país.
Para Luisão, o episódio oferece ao clube lisboeta a chance de avançar no combate à discriminação. “O futebol é paixão, é intensidade. Mas, antes de tudo, é humanidade. E humanidade não admite racismo”, escreveu.









































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