Em coluna publicada em janeiro de 2026, o ex-jogador e cronista esportivo Tostão traça um paralelo entre os centromédios do início do futebol e os meio-campistas centrais que hoje comandam grandes equipes europeias. Para o autor, nomes como Vitinha, do Paris Saint-Germain e da seleção portuguesa, e Zubimendi, do Arsenal e da seleção espanhola, representam a herança direta dos “center-halves” ingleses de quase 150 anos atrás.
Origem tática
No fim do século XIX, o futebol era disputado no sistema 2-3-5, com o centromédio responsável por organizar o jogo e distribuir passes. A partir da década de 1920, o inglês Herbert Chapman introduziu o WM (3-2-2-3), esquema levado ao Brasil em 1937 pelo técnico húngaro Dori Kruschner, contratado pelo Flamengo. Segundo Tostão, a chegada de estrangeiros naquela época impulsionou o desenvolvimento tático no país, situação que ele compara ao movimento posterior à derrota brasileira por 7 a 1 para a Alemanha, em 2014.
Mudanças no Brasil
Tostão relembra que, durante décadas, o futebol brasileiro separou o meio-campo entre volantes defensivos e meias ofensivos, fazendo desaparecer o jogador capaz de exercer ambas as funções. Esse cenário, afirma, começa a se modificar lentamente.
Do WM ao 4-3-3
Do WM nasceu o 4-2-4, formação que a Inglaterra usou para conquistar a Copa do Mundo de 1966 e que, na prancheta, ainda aparece na seleção brasileira atual. Nas Copas de 1958, 1962 e 1970, o Brasil recuou um ponta e criou o 4-3-3; o modelo, hoje com dois pontas abertos, está disseminado em clubes e seleções de todo o planeta.
Pressão e intensidade
O cronista lembra que o holandês Rinus Michels, em 1974, apresentou a marcação por pressão em todo o campo. A estratégia só se popularizou no início dos anos 2000, quando Pep Guardiola a adotou com sucesso no Barcelona. Atualmente, praticamente todas as equipes iniciam a pressão já na saída de bola do goleiro.
Imagem: Reprodução
Entre outras transformações recentes, Tostão cita a compactação das linhas, o jogo em bloco, a alta intensidade e a combinação de posse curta com transições rápidas. Para ele, o esporte “melhorou” graças a essas mudanças.
Papel do treinador
Na visão do ex-atacante, não existe único modo ideal de jogar. Ele destaca técnicos capazes de alternar sistemas conforme adversário e elenco, mencionando a frase de Carlo Ancelotti: “não tenho filosofia; o time joga conforme o momento”.
Talento e conjunto
Ao concluir, Tostão ressalta que uma grande equipe depende da união entre talento individual, trabalho coletivo, disciplina, tática e condições físicas e emocionais adequadas — elementos que, a seu ver, unem inspiração e transpiração no futebol moderno.









































Adicionar comentário