A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou o novo plano de profissionalização da arbitragem, que prevê salário fixo, sistema de avaliação e bônus por desempenho. A medida foi recebida com entusiasmo por ex-árbitros, mas também gerou questionamentos sobre os critérios utilizados para escolher os 72 profissionais que integram o projeto-piloto.
Seleção e remuneração
Do grupo inicial, 11 árbitros centrais, 20 assistentes e 12 árbitros de vídeo são vinculados à Fifa, enquanto os demais têm vínculo apenas com a CBF. Cada profissional receberá, em média, R$ 13 mil mensais, valor que pode chegar a R$ 30 mil para os árbitros centrais. Os contratos, como prestadores de serviço, serão firmados em fevereiro e terão validade até dezembro.
Avaliação dos ex-árbitros
Ex-auxiliar e ex-presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista, Ana Paula Oliveira elogiou a iniciativa, mas questionou a falta de transparência. “Quais foram os critérios para definir os árbitros do primeiro projeto? Usaram a temporada de 2024 e 2025, mas há nomes de 2025 que ficaram abaixo do esperado”, disse. Ela também pediu clareza nos parâmetros de avaliação, como desempenho físico, uso do VAR e controle emocional.
Carlos Eugênio Simon, que atuou em três Copas do Mundo, classificou o anúncio como “gol de placa”. Segundo ele, a segurança financeira permitirá dedicação exclusiva à função, mesmo sem obrigação contratual de exclusividade. Simon afirmou ter sido consultado pela CBF na elaboração do modelo.
Para Renato Marsiglia, a remuneração fixa e o contrato anual reduzem a exposição dos árbitros a lesões ou à falta de escalas. “Se o árbitro não trabalha, não recebe. Agora haverá proteção”, observou.
Imagem: Reprodução
Estrutura do programa
Os 72 selecionados terão planos individuais de treino, apoio médico, acompanhamento tecnológico e quatro avaliações anuais, com testes físicos e simulações de jogo. Também participarão de imersões mensais com aulas teóricas e práticas.
A CBF calcula investir R$ 195 milhões na arbitragem até o fim de 2027. O objetivo é que a atividade se torne a principal fonte de renda dos profissionais, apesar da impossibilidade jurídica de exigir dedicação exclusiva.









































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