A Fórmula 1 volta a Xangai neste fim de semana para a segunda etapa da temporada 2026, a primeira sob o novo regulamento que amplia a parte elétrica dos motores híbridos. Mesmo líder mundial nesse segmento, a China continua praticamente fora do campeonato: não há escuderias, pilotos nem fabricantes nacionais no grid.
A única ligação direta será o Grande Prêmio da China, marcado para as 4h (horário de Brasília) de domingo, 15 de março, no Circuito Internacional de Xangai, que recebe a categoria desde 2004.
País com 220 milhões de fãs
Segundo dados oficiais da categoria, a base de fãs chineses supera 220 milhões e teve o maior crescimento do mundo em 2025, com alta de 39%. Ainda assim, a participação efetiva foi breve: Guanyu Zhou competiu entre 2022 e 2024, somou 68 largadas e obteve como melhor resultado dois oitavos lugares, no Canadá 2022 e no Catar 2024.
Freio governamental
Para o pesquisador Simon Chadwick, especialista em geopolítica econômica do esporte, a ausência chinesa reflete diretrizes estatais. “As corporações não decidem sozinhas; tudo passa pelo governo central”, afirmou. O plano quinquenal mais recente divulgado por Pequim não menciona a Fórmula 1, indicando que uma equipe chinesa não deve surgir em curto prazo.
Interesse da BYD
Ainda assim, a montadora BYD avalia a possibilidade de entrar na F1, noticiou a Bloomberg. A empresa considera duas rotas: formar uma nova equipe, a exemplo da Cadillac (General Motors), ou comprar uma estrutura já existente, como fez o grupo Volkswagen ao transformar a Sauber em Audi. O principal entrave é o custo estimado em US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) por temporada, além da necessidade de aprovação das atuais escuderias.
O presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Mohammed ben Sulayem, declarou ao jornal francês Le Figaro que ver uma montadora chinesa na categoria “é o próximo passo” após a entrada prevista da General Motors.
Líder em elétricos, ausente nas pistas
A China respondeu por quase dois terços das vendas globais de veículos elétricos em 2024, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Na Fórmula 1, porém, sua influência permanece indireta, restrita a patrocínios e parcerias tecnológicas.
Imagem: Reprodução
Barreiras culturais e logísticas
O professor Shaowei He, da Universidade de Northampton, lembra que o automobilismo tem raízes europeias de mais de sete décadas, enquanto a cultura do esporte a motor ainda é incipiente no país asiático. A distância do “Vale do Automobilismo” britânico, onde se concentram várias equipes, também pesa.
Chadwick acrescenta que a hegemonia ocidental em áreas como engenharia, design de circuitos e governança, somada a tensões geopolíticas e sanções, dificulta a entrada de estruturas chinesas ou de outras partes da Ásia.
Enquanto isso, os Estados Unidos ampliaram sua presença: controlam comercialmente a categoria via Liberty Media e já contam com três GPs no calendário, impulsionados pela série “Drive to Survive”, da Netflix.
Assim, mesmo com o avanço da eletrificação — área em que é líder mundial —, a China permanece como espectadora privilegiada, limitada à etapa em Xangai e ao potencial de futuros investimentos que ainda esbarram em altos custos e direcionamentos políticos.









































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