Fernando Diniz, 52, iniciou oficialmente sua trajetória como técnico do Corinthians tentando transformar o que ele chama de “loucura” em combustível para o sucesso. O treinador foi apresentado na terça-feira (7), no CT Joaquim Grava, sob protestos de torcedores que exigiam mais empenho dos jogadores após uma série de nove partidas sem vitória que derrubou Dorival Júnior.
A contratação foi anunciada em vídeo nas redes do clube. Lendo um texto, Diniz declarou que “a loucura transcende o jogo” e que seu coração “pulsa no ritmo da Fiel”. Ao final, sem roteiro, largou o microfone e gritou: “Agora vai começar a loucura. Vai, Corinthians!”. As imagens exibiam o “bando de loucos”, apelido da torcida alvinegra.
Pressão imediata e protestos
Enquanto o técnico discursava na apresentação, torcedores bloqueavam a saída do centro de treinamento. Alguns pararam carros de atletas cobrando atitude: “Vocês acham que somos otários?”. Questionado, Diniz classificou a manifestação como “supernormal” e relembrou episódio de 1997-98, quando, ainda jogador do clube, o ônibus corinthiano foi apedrejado na volta de uma derrota para o Santos.
“O que acalma isso é ganhar jogo”, resumiu. Dois dias depois, a equipe venceu o Platense por 2 a 0, em Vicente López, na Argentina, na estreia da Libertadores-2026, encerrando quase dois meses de jejum.
Derby à vista
Mesmo com o alívio, os protestos advertiam: “Se perder no domingo vocês estão ferrados”, em referência ao clássico contra o Palmeiras, na Neo Química Arena, pelo Campeonato Brasileiro. “Sei a importância do Derby, é o maior clássico para o Corinthians”, respondeu o treinador.
Estilo intenso
Conhecido pelo comportamento explosivo à beira do gramado, Diniz afirmou que a disposição supera qualquer esquema tático. “As pessoas acham que tática prevalece para mim. Nunca vai. Não existe domínio tático que supere a falta de ânimo e de vontade”, disse.
Imagem: Reprodução
Na vitória sobre o Platense, câmeras focaram o técnico durante a pausa para hidratação. Ele gesticulou e orientou de forma enérgica, mas conteve os palavrões dirigidos ao lateral Matheuzinho, demonstrando tentativa de calibrar a intensidade.
Raízes na zona leste
Nascido em Patos de Minas (MG), Diniz vive na zona leste paulistana desde os nove meses de idade, região onde se localiza o Parque São Jorge, sede social do Corinthians. “Moro na zona leste, você sabe o tanto de corinthiano que tem aqui”, afirmou, minimizando críticas nas redes sociais à sua contratação.
Altos e baixos recentes
Antes de chegar ao Parque São Jorge, o técnico viveu um pico marcante ao conquistar a Libertadores-2023 pelo Fluminense e atravessou um ponto baixo na breve e frustrante passagem pela seleção brasileira. Mesmo assim, acredita estar pronto: “Já estive perto de acertar com o Corinthians quatro ou cinco vezes. Hoje estou mais preparado. Os 17 anos da minha carreira foram preparação para um clube deste tamanho”.
Diniz aposta que canalizar a “loucura” em energia positiva, dentro e fora de campo, será decisivo para fazer o Corinthians voltar a vencer e, assim, pacificar o ambiente.









































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