Bodø, Noruega – O Bodø/Glimt escreve um capítulo inédito nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, quando recebe o Sporting pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. Será a primeira vez que a competição desembarca na cidade de 53.600 habitantes, no extremo norte da Noruega.
O feito coroa uma trajetória improvável. Ainda em 2016 o clube disputava a segunda divisão nacional. A partir de 2020, porém, somou quatro títulos e dois vice-campeonatos na elite norueguesa sob o comando de Kjetil Knutsen, técnico que chegou como auxiliar em 2017 e manteve o trabalho mesmo durante a pandemia.
Gigantes no caminho
Na fase de grupos, o Glimt surpreendeu ao bater o Manchester City por 3 a 1 e o Atlético de Madrid por 2 a 1 no Estádio Aspmyra, que comporta apenas 8.270 torcedores e possui gramado artificial. Nas oitavas preliminares, eliminou a Internazionale: 3 a 1 em casa sob temperatura negativa e 2 a 1 no San Siro.
Para Thiago Scuro, diretor-executivo do Monaco — única equipe que passou por Bodø sem sofrer gols ao vencer por 1 a 0 na fase de grupos —, o sucesso não é casual. “Eles mantêm o mesmo treinador há anos e trabalham praticamente com o mesmo núcleo de atletas”, afirma.
Cidade transforma-se em destino da Champions
Com hotéis cheios e ruas tomadas por torcedores estrangeiros, Bodø vive um movimento turístico incomum. Segundo Anke Lange, responsável pelo escritório local de informações, o torneio colocou a cidade “em um roteiro completamente novo” para viajantes que, até então, usavam o porto apenas como escala rumo ao arquipélago de Lofoten.
O morador Robin Gundersen, que administra uma galeria de arte com o irmão gêmeo, resume o sentimento local: “Passamos anos nas divisões inferiores. Estar na Champions parece irreal”.
Imagem: Reprodução
Estilo ofensivo
O termo norueguês Glimt significa “faísca” ou “brilho” e inspira o apelido “relâmpago do norte”, cunhado pela imprensa portuguesa. Ex-jogador do clube e hoje técnico das categorias de base, Thiago Monteiro destaca a filosofia: “Os atletas trocam passes desde a defesa; não existe chutão”.
Knutsen descreve a proposta como “jogo livre” e diz não estabelecer metas além do próximo desafio. Ainda assim, reconhece que o time “talvez esteja um pouco adiantado” em relação ao que imaginava quando iniciou o projeto.
Com clima rigoroso, gramado sintético e uniformes amarelos, o Bodø/Glimt transforma o Ártico em palco europeu e tenta prolongar a história nesta noite contra o Sporting.









































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