Enterradas acrobáticas, passes improváveis e muito humor marcam o centenário dos Harlem Globetrotters, equipe fundada em 1926 em Chicago que popularizou o basquete fora dos Estados Unidos e abriu caminho para atletas negros nas ligas profissionais.
Gira mundial em 2026
Para celebrar os 100 anos, o grupo iniciou turnê internacional neste mês no Reino Unido, segue para várias cidades francesas ao longo de março e desembarca na Turquia no início de abril.
Origem do nome
O empresário branco Abe Saperstein batizou a equipe de Harlem, referência ao bairro nova-iorquino centro da cultura afro-americana nos anos 1920, para deixar claro que todos os jogadores eram negros, explica a pesquisadora Susan Rayl, da Universidade Estadual de Nova York em Cortland. Já o termo “Globetrotters” antevia a intenção de viajar pelo mundo.
Do competitivo ao espetáculo
No início, o time percorria os Estados Unidos enfrentando formações exclusivamente brancas. No fim da década de 1930, passou a incorporar lances circenses, o que lhe garantiu fama internacional, mas também críticas de parte da comunidade negra, que considerava as “palhaçadas” depreciativas.
Impacto na integração
A popularidade levou os Globetrotters a desafiar o então Minneapolis Lakers, campeão da Basketball Association of America, em 1948 e 1949. As duas vitórias ajudaram a abrir espaço para jogadores negros na liga: em 1950, Nathaniel Clifton tornou-se o primeiro afro-americano a assinar com uma equipe da recém-criada NBA, enquanto Chuck Cooper foi o primeiro selecionado no draft, escolhido pelo Boston Celtics.
Imagem: Reprodução
Embaixadores informais dos EUA
Na década de 1950, o grupo passou a lotar estádios no exterior, reunindo 75 mil pessoas no Estádio Olímpico de Berlim em 1951. Recebido pelo papa Pio XII em 1952, também visitou a União Soviética com Wilt Chamberlain. O Departamento de Estado norte-americano os nomeou embaixadores da boa-vontade, usando a equipe para promover uma imagem de diversidade que o país ainda buscava consolidar internamente.
Legado e reconhecimento
Adquiridos em 2013 por uma empresa de parques de diversões, os atuais Harlem Globetrotters afirmam manter o compromisso de causar impacto positivo, segundo o jogador “Wham” Middleton. O trabalho de um século rendeu em 2002 a inclusão do time no Hall da Fama do Basquete, em Springfield, Massachusetts.
Ao completar 100 anos, os Globetrotters seguem misturando habilidade esportiva e show, permanecendo um dos símbolos mais conhecidos do basquete mundial.









































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