Mais longevo treinador em atividade nas Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro em 2025, Hélio dos Anjos, 67, afirma que profissionais de maior idade estão sendo descartados pelos clubes apenas pelo fator etário.
O técnico comandou o Náutico no acesso da Série C para a B neste ano e, para continuar no clube em 2026, reformulou seu acordo: além dos treinos, passou a responder, junto com o filho e auxiliar Guilherme dos Anjos, pela gestão de todo o departamento de futebol.
“Hoje está insuportável. Para falar com um jogador, há assessor, empresário, agente da negociação e até guru espiritual”, disse à reportagem. “Se discuto algo com o atleta, ele liga para o empresário, que nunca o corrige e coloca a culpa no treinador.”
“Rótulo de superado”
Com passagens por 35 clubes e pela seleção da Arábia Saudita, Hélio afirma que dirigentes usam a idade como critério para descartar nomes experientes. Ele cita Vanderlei Luxemburgo, Oswaldo de Oliveira e Celso Roth como exemplos de profissionais fora do mercado “por rótulo de ultrapassados”.
O treinador recorda que foi vetado por um clube da Série A nesta temporada sob o argumento de estar “superado”. A equipe acabou rebaixada, enquanto ele levou o Náutico ao acesso. “Será mesmo que eu estava superado?”, questionou.
Consequências do 7 a 1
Para Hélio, o preconceito ganhou força após a derrota da seleção brasileira por 7 a 1 para a Alemanha, em 2014, que teria colocado em xeque toda a geração que trabalhava na época de Luiz Felipe Scolari. Segundo ele, isso abriu espaço para uma onda de treinadores estrangeiros nem sempre bem-sucedidos.
Imagem: Reprodução
“O modismo levou os clubes a errarem muito. Pepa chegou sem dirigir um clube de massa, Sampaoli passou por três grandes e não ganhou título. Se um brasileiro fizesse o que Zubeldía fez no São Paulo, ficaria quanto tempo?”, argumentou.
Autoridade em xeque
O técnico reconhece os avanços estruturais do futebol brasileiro, mas critica a perda de autonomia dos treinadores. “Hoje o fisiologista decide quem vai jogar. Ele pode trazer dados, mas a escolha final deve ser do técnico. Os mais jovens permitiram esse esvaziamento do comando”, afirmou.
Exceções e futuro da seleção
Apesar das críticas, Hélio elogia Abel Ferreira, no Palmeiras, e vê potencial em Filipe Luís, no Flamengo, e Rafael Guanaes, no Mirassol. Para a seleção brasileira, prefere um nome do país e cita Rogério Ceni como opção que “ganhou casca” nos últimos anos.
Números recentes
Desde 2018, o treinador contabiliza seis títulos e três acessos, todos ao lado do filho Guilherme. Ele afirma que seu salário supera o de alguns colegas da Série A e que não pretende reduzir valores para fechar novos contratos. “Se tiver que ficar em casa, eu fico. Meus números estão aí”, concluiu.









































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