Washington, 2026 – A sugestão de que seleções europeias abandonem a Copa do Mundo de 2026, marcada para começar em junho nos Estados Unidos, Canadá e México, tem gerado repercussão limitada e pouca receptividade entre dirigentes esportivos e autoridades governamentais.
Origem da proposta
O debate ganhou força depois de uma crise diplomática provocada pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump ao mencionar a possibilidade de anexar a Groenlândia. Em reação, alguns políticos europeus – sem grande expressão nacional – passaram a defender um eventual boicote como forma de retaliação.
Declarações de Trump
Desde o fim de seu mandato, Trump tem buscado protagonismo em torno do Mundial:
- ameaçou retirar partidas de cidades que julga inseguras;
- anunciou, por “motivos de segurança”, que vetaria a entrada de torcedores de Irã, Haiti, Senegal e Costa do Marfim;
- afirmou que gostaria de transformar o Canadá no “51º estado” dos EUA;
- disse não descartar uma ação militar no México para combater cartéis de drogas.
Em 5 de dezembro de 2025, Trump esteve ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino, no sorteio dos grupos em Washington.
Reações na Europa
Apesar da repercussão, federações de futebol e governos sinalizam que não há disposição para aderir ao boicote:
Imagem: Reprodução
- A Confederação de Futebol da Holanda declarou que eventuais posições políticas cabem ao governo, não à entidade esportiva.
- A ministra do Esporte da França afirmou que o país “nem cogita” faltar ao torneio.
- No Reino Unido, onde as relações políticas e comerciais com Washington são estreitas, a hipótese é considerada “impensável”. Inglaterra e Escócia asseguram participação.
Histórico de boicotes esportivos
Contestações a eventos esportivos remontam à Antiguidade: em 332 a.C., Atenas ameaçou abandonar os Jogos Olímpicos por suspeita de apostas ilegais. Entre os exemplos modernos mais conhecidos estão:
- Ausência dos Estados Unidos e aliados nos Jogos de Moscou-1980;
- Retaliação soviética e de países do bloco oriental em Los Angeles-1984;
- Tentativas de boicote à Copa da Rússia-2018 (anexação da Crimeia) e ao Catar-2022 (direitos humanos).
Efeitos limitados
Especialistas recordam que boicotes raramente resolvem disputas geopolíticas e costumam penalizar atletas, não governos. No caso de 2026, analistas veem dificuldade de justificar a retirada de seleções de um país democrático e destacam que Canadá e México, coanfitriões, não têm relação direta com as declarações de Trump.
Próximos passos
Dirigentes esportivos avaliam que futuras candidaturas a grandes eventos devem sofrer escrutínio mais rigoroso, sobretudo em nações sob regimes autoritários. Por ora, entretanto, não há sinal concreto de que qualquer federação europeia abrirá mão da disputa pelo título mundial em 2026.









































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