O Golden State Warriors derrotou o Minnesota Timberwolves por 111 a 85 na noite de domingo, 25 de janeiro, no Target Center, em Minneapolis, mas o resultado ficou em segundo plano diante das manifestações que tomaram conta da arena um dia depois da morte do enfermeiro Alex Pretti, 37.
A partida, válida pela temporada regular da NBA, estava marcada para sábado (24), porém foi adiada após Pretti ser baleado por agentes federais enviados à cidade pelo governo do então presidente republicano Donald Trump, conhecido pela política migratória rígida. O episódio intensificou os protestos contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) e levou a liga a postergar o confronto em 24 horas.
Ambiente pesado na arena
“Foi um dos jogos mais estranhos e tristes da minha carreira”, afirmou Steve Kerr, 60, multicampeão como técnico e ex-jogador dos Warriors. Segundo ele, era possível perceber o abatimento dos atletas do time da casa.
Chris Finch, treinador do Minnesota, falou com voz embargada após a partida. “Estamos de coração partido. Orgulho-nos de representar esta cidade, mas é difícil ver o que nossos jogadores estão enfrentando”, declarou.
Nas arquibancadas, torcedores ergueram cartazes e entoaram gritos contra o ICE. Antes do salto inicial, houve um minuto de silêncio em memória de Pretti. A tensão se refletiu em quadra: os Timberwolves cometeram 25 desperdícios de bola, bem acima da média da equipe (14,4), enquanto o habitual alvo de vaias Draymond Green recebeu apenas censuras tímidas.
Reação política e da comunidade esportiva
O governador democrata Tim Walz cobrou o fim da operação federal. “Minnesota não aguenta mais. O presidente precisa retirar esses oficiais violentos e sem preparo”, publicou nas redes sociais.
O Departamento de Segurança Interna informou que Pretti teria se aproximado dos agentes com uma pistola, mas imagens disponíveis mostram o enfermeiro segurando um celular, alimentando a indignação popular. Em 7 de janeiro, a norte-americana Renée Good, também de 37 anos, foi morta em circunstâncias semelhantes por um agente do ICE.
Imagem: Reprodução
Franquias da cidade — Timberwolves, Lynx (basquete feminino), Vikings (futebol americano), Twins (beisebol) e United (futebol) — divulgaram nota conjunta pedindo “desescalada das tensões”. A associação dos jogadores da NBA (NBPA) manifestou solidariedade aos manifestantes que “arriscam a vida em busca de justiça”. O armador Tyrese Haliburton, destaque do Indiana Pacers, escreveu em rede social: “Alex Pretti foi assassinado”.
Liga monitora possíveis desdobramentos
A direção da NBA acompanha a situação de perto. Em 2020, a liga enfrentou paralisação temporária quando atletas protestaram contra a morte de George Floyd, também em Minneapolis. No momento, não há indicação de nova suspensão, mas eventos esportivos na cidade vêm ocorrendo sob clima de luto e vigilância.
Enquanto a temperatura externa chega a níveis abaixo de zero em meio a nevascas, torcedores, atletas e treinadores buscam normalidade em um cenário marcado por violência policial e contestação social. Para o jornalista Jon Krawczynski, que cobre os Timberwolves há mais de duas décadas, o encontro de domingo “pareceu uma reunião de pessoas que precisavam, coletivamente, de uma pausa de tudo o que acontece do lado de fora”.
Apesar da vitória dos Warriors, o que ficou da noite em Minneapolis foi a sensação de que o esporte, por ora, divide espaço com uma crise ainda sem desfecho.









































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