A Associação do Futebol Argentino (AFA) e seu presidente, Claudio “Chiqui” Tapia, foram formalmente acusados de evasão fiscal nesta segunda-feira (30). A decisão, assinada pelo juiz federal de causas penais e econômicas Diego Amarante, inclui a retenção de bens de Tapia no valor de 350 milhões de pesos argentinos (cerca de R$ 1,3 milhão).
Além do dirigente, outros quatro funcionários da entidade tiveram patrimônio bloqueado, entre eles o tesoureiro e braço direito de Tapia, Pablo Toviggino. Todos respondem por apropriação indevida de receitas tributárias e de fundos da seguridade social.
Denúncia da Receita argentina
O processo foi aberto a partir de queixa do órgão arrecadador Arca, que aponta falhas no recolhimento de impostos e contribuições previdenciárias entre março de 2024 e setembro de 2025. O montante não quitado, segundo o fisco, chega a 19 bilhões de pesos (mais de R$ 70 milhões).
Em 12 de março, a AFA declarou que não possui dívidas e atribuiu o caso a “pressão” do governo do presidente Javier Milei, que defende mudanças na estrutura dos clubes de futebol.
Defesas rejeitadas
Tapia alegou dificuldade para acompanhar a gestão burocrática por passar longos períodos fora do país. Outros dois dirigentes, Blanco Rodríguez e Malaspina, afirmaram ter funções meramente protocolares. Toviggino sustentou que a AFA seguia normas do Ministério da Economia. O magistrado rejeitou os argumentos, destacando que a entidade recebeu valores expressivos de patrocinadores e movimentou grandes quantias em operações com títulos.
A Justiça concluiu que o não pagamento de impostos foi motivado por “ânimo de lucro” e “desprezo pela situação dos aposentados”. Tapia está proibido de deixar a Argentina.
Imagem: Reprodução
Investigações paralelas e embate político
Presidente da AFA desde 2017, Tapia também é investigado por suposta lavagem de dinheiro. Em dezembro, a polícia realizou buscas relacionadas a transações com uma empresa financeira.
O caso aprofunda o atrito entre a cúpula da AFA e o governo Milei. No fim de 2025, a entidade acusou o Executivo de perseguição política após a senadora governista Patricia Bullrich denunciar Tapia e Toviggino no tribunal de ética da Conmebol por possíveis violações às políticas anticorrupção e antissuborno.
Procurada, a AFA não se manifestou sobre as novas acusações. No sábado (28), porém, divulgou nota em que celebrou os nove anos da gestão Tapia, definindo-a como “etapa de ordenação, crescimento e projeção para o futebol nacional”.









































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