Os Jogos Olímpicos de Inverno, que começam nesta semana no norte da Itália, mobilizam uma das maiores operações de segurança já realizadas no país. A cerimônia de abertura, marcada para sexta-feira (6) às 16h de Brasília no estádio San Siro, em Milão, será o primeiro grande teste.
Mais de 6.000 policiais e agentes de segurança atuarão em Milão, Cortina d’Ampezzo e Livigno, locais das competições, apoiados por drones de vigilância e robôs projetados para inspecionar áreas de difícil acesso. Um centro de comando de cibersegurança funcionará 24 horas por dia para monitorar redes olímpicas e infraestrutura de transporte.
“Se alguém quiser sabotar os Jogos, a cerimônia de abertura é a melhor oportunidade”, afirmou Franz Regul, responsável pela segurança cibernética dos Jogos de Verão de Paris-2024, lembrando o alívio que sentiu ao término do evento francês sem incidentes de segurança significativos.
Ameaças digitais em foco
O histórico olímpico inclui precedentes de ataques. Em 2018, um ciberataque atribuído à Rússia derrubou sistemas de internet e transmissão na abertura dos Jogos de Pyeongchang, na Coreia do Sul, causando falhas na apresentação e impedindo espectadores de imprimir ingressos. Dois anos depois, na França, um ato de sabotagem interrompeu a rede ferroviária de alta velocidade horas antes da abertura dos Jogos de Paris.
Desde que um vasto esquema de doping estatal foi exposto, atletas russos competem sob bandeira neutra. Especialistas apontam Moscou como uma das maiores ameaças estatais, inclusive pela veiculação de campanhas de desinformação, como um documentário falso que usava voz semelhante à do ator Tom Cruise antes das Olimpíadas de Paris.
“Os organizadores temem ameaças vindas de Estados porque esses atores dispõem de mais recursos e qualificação”, observou Daniel Byman, diretor do Programa de Guerra, Ameaças Irregulares e Terrorismo do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington.
Polêmica com agentes norte-americanos
A revelação de que integrantes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) acompanhariam autoridades norte-americanas aos Jogos gerou forte reação na Itália. Críticas partiram de autoridades locais e manifestantes, que associam o órgão a ações violentas contra imigrantes em Minnesota durante o governo Trump.
Imagem: Reprodução
O embaixador dos EUA na Itália, Tilman J. Fertitta, esclareceu que os agentes atuarão pela Divisão de Investigações de Segurança Interna (HSI) apenas em caráter consultivo e de inteligência, sem participar de patrulhamento ou aplicação da lei. Ainda assim, o prefeito de Milão pediu que o governo italiano bloqueie a entrada do ICE, classificando o serviço como “milícia envolvida em atos criminosos”.
A controvérsia levou o comitê olímpico norte-americano a alterar o nome do espaço de hospitalidade para atletas do país em um hotel milanês: de “Ice House” para “Winter House”.
Estratégia em terra, ar e rede
Além dos contingentes humanos, a segurança prevê uso intensivo de drones e robôs capazes de examinar áreas perigosas. Esses equipamentos se somam ao centro de comando cibernético – modelo adotado com sucesso em Paris – que acompanhará possíveis ameaças digitais em tempo real.
Com bilhões de telespectadores aguardados para a cerimônia de abertura e a presença de líderes mundiais, autoridades italianas consideram o evento seu próprio “momento final olímpico”. A expectativa é repetir o padrão de Paris, onde, apesar de bloqueios viários e presença militar ostensiva, os Jogos ocorreram sem grandes incidentes.
A operação permanece em alerta máximo até o encerramento das competições, previsto para o fim de fevereiro.









































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