Em 23 de agosto de 1987, diante de aproximadamente 16 mil torcedores na Market Square Arena, em Indianápolis, a seleção brasileira masculina de basquete protagonizou uma das maiores surpresas do esporte: venceu os Estados Unidos por 120 a 115 e ficou com o ouro nos Jogos Pan-Americanos.
O time anfitrião, invicto em casa e formado por universitários que depois chegariam à NBA — entre eles o pivô David Robinson —, era apontado como franco favorito. O Brasil, treinado por Ary Vidal, entrara em quadra temendo sofrer uma derrota elástica, conforme relataram depois os alas Oscar Schmidt e Marcel e o armador Cadum.
Primeiro tempo de domínio americano
Logo no início, os norte-americanos abriram 14 a 2. Ao fim da etapa inicial, venciam por 68 a 54; Marcel converteu um arremesso de três pontos quase do meio da quadra no último segundo e evitou desvantagem maior.
Reação brasileira
Na volta do intervalo, o Brasil aumentou a pressão defensiva e explorou os chutes de longa distância — recurso introduzido em competições internacionais apenas três anos antes. Oscar, então com 29 anos, marcou 35 dos 66 pontos brasileiros no segundo tempo; Marcel anotou outros 20. A seleção virou e administrou a vantagem nos minutos finais.
Números do jogo
Oscar terminou com 46 pontos e encerrou o Pan como cestinha, somando 249. Foi a primeira derrota da equipe masculina dos EUA em território nacional. Como a organização não previa outro resultado além do ouro local, o hino brasileiro precisou ser buscado às pressas em um estádio próximo.
Campanha até a final
Antes da decisão, os EUA haviam superado Panamá, Argentina, México, Venezuela e Uruguai por diferença média de 29 pontos e passado por Porto Rico na semifinal por 80 a 75. O Brasil, por sua vez, venceu Uruguai (111 a 79), Porto Rico (100 a 99) e Ilhas Virgens (103 a 98), perdeu para o Canadá (91 a 88), eliminou a Venezuela nas quartas (131 a 84) e bateu o México na semifinal (137 a 116).
Imagem: Reprodução
Consequências
A derrota, somada ao bronze dos EUA na Olimpíada de 1988, impulsionou a liberação de atletas da NBA para os Jogos de 1992, quando surgiu o “Dream Team”. O título em Indianápolis imortalizou a equipe brasileira composta por Oscar, Marcel, Cadum, Guerrinha, Israel, Gerson, Rolando, Paulinho Villas Boas, Maury, Sílvio, André e Pipoka.
Oscar Schmidt, que morreu em 17 de abril de 2026, aos 68 anos, sempre atribuiu sua precisão a treinos exaustivos. Em cinco Olimpíadas (1980-1996), acumulou 1.093 pontos — recorde histórico — e, ao longo de quase três décadas de carreira, alcançou 49.737 pontos, a segunda maior marca já registrada no basquete mundial.
Até hoje, jogadores e torcedores recordam o Pan de 1987 como o dia em que o Brasil “venceu o invencível” e comprovou a força dos arremessos de três pontos no basquete moderno.









































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