O Haiti confirmou presença na Copa do Mundo de 2026 após meio século de ausência, mas a façanha carrega um cenário pouco usual para o futebol de seleções: a equipe chega ao torneio sem poder atuar em casa desde 2021, com boa parte dos torcedores impedidos de entrar nos Estados Unidos, sede de seus três jogos na fase de grupos.
Exílio forçado nas Eliminatórias
Desde o agravamento da insegurança em Porto Príncipe, o time comandado pelo francês Sébastien Migné mandou todas as partidas das Eliminatórias em Curaçao. Foi lá que, em novembro passado, a vitória por 2 a 0 sobre a Nicarágua selou a classificação inédita desde 1974.
Torcida pode ficar de fora nos EUA
O retorno ao Mundial esbarra em um impasse extra-campo: haitianos são atualmente o único povo das Américas a quem o governo norte-americano veta vistos de turista. Ao mesmo tempo, cerca de 350 mil haitianos vivem nos EUA sob o Temporary Protected Status (TPS), programa criado após o terremoto de 2010 e que agora é avaliado pela Suprema Corte. Caso o benefício seja revogado, até residentes que já moram no país poderão enfrentar barreiras para acompanhar a equipe nos estádios.
Diáspora forma a espinha dorsal
A convocação reflete a realidade de um país em crise: a maioria dos jogadores nasceu fora do território haitiano. O meia Jean-Ricner Bellegarde, do Wolverhampton, por exemplo, nunca visitou o país natal dos pais devido à falta de segurança. Já o goleiro e capitão Johny Placide é um dos poucos titulares formados localmente.
Grupo com Brasil, Escócia e Marrocos
No Grupo D, o Haiti estreia contra o Brasil e ainda enfrenta Escócia e Marrocos. Além do desafio técnico, a equipe caribenha precisará lidar com possível desvantagem nas arquibancadas, cenário que contrasta com a atmosfera de 2025, quando a classificação foi celebrada como ato de resistência nacional.
Imagem: Reprodução / OddsNEWS
Diplomacia esportiva ganha palco
Especialistas em relações internacionais veem na participação haitiana uma rara oportunidade de projeção positiva. Para o professor David E. Guinn, a vaga oferece espaço para que o país associe o discurso de superação da seleção às dificuldades humanitárias internas. O historiador Nicholas Cull acrescenta que a Copa pode funcionar como vitrine de soft power, criando “segurança reputacional” em meio ao colapso institucional.
Dentro de campo, o Haiti tenta repetir a história de 1974, quando marcou presença em Munique. Fora dele, a delegação carrega a missão de representar uma nação que ainda busca segurança nas ruas e na própria identidade.
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