Hugo Jinkis, 81 anos, e seu filho Mariano, 51, chegaram a Nova York no fim de semana e, já na segunda-feira (18), iniciaram conversas formais com promotores federais do Brooklyn em busca de um acordo de colaboração. O movimento rompe um impasse que se arrastava desde 2016, quando a Justiça da Argentina barrou a extradição dos executivos para os Estados Unidos.
Quem são os Jinkis
- Proprietários da agência de marketing esportivo Full Play Group.
- Acusados em 2015 de pagar propinas a dirigentes da Conmebol e de federações nacionais para obter direitos de transmissão da Copa América e de torneios sul-americanos.
- Chegaram a se apresentar à Justiça argentina, mas permaneceram em liberdade no país.
Reviravolta no FIFAgate
Ao longo de mais de uma década, o Departamento de Justiça dos EUA obteve mais de 30 condenações e recuperou centenas de milhões de dólares em um dos maiores escândalos esportivos já registrados. Mesmo assim, os Jinkis eram considerados peças-chave que jamais haviam enfrentado a Corte norte-americana. A decisão de viajar voluntariamente surpreende porque acontece quando o processo sofre pressões para ser arquivado, após o próprio governo dos EUA pedir a anulação de condenações de réus como o ex-executivo da Fox Hernán López e da própria Full Play.
Impacto para Conmebol e direitos de TV
A possível delação da dupla interessa diretamente aos promotores porque pode detalhar como se estruturou o fluxo de propinas em contratos multimilionários de TV na América do Sul. O tema volta à pauta dias depois de um denunciante afirmar à Fifa que dirigentes da Conmebol teriam retido mais de US$ 5 milhões destinados a programas de desenvolvimento do futebol regional.
Momento estratégico
A chegada dos Jinkis ocorre a poucas semanas do pontapé inicial da Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio coloca o futebol novamente sob forte escrutínio global, e um acordo de colaboração pode reforçar a narrativa de combate à corrupção em meio a discussões sobre governança na Fifa.
Imagem: Reprodução / OddsNEWS
Próximos passos na Justiça
- Na próxima semana, a juíza Pamela K. Chen ouvirá argumentos sobre o pedido de arquivamento das condenações de López e da Full Play.
- Se os Jinkis aceitarem se declarar culpados, o Departamento de Justiça conquistará suas primeiras novas condenações desde 2023, fortalecendo a sustentação jurídica do caso.
- O teor de um eventual acordo ainda é desconhecido, mas pode incluir restituição financeira e cooperação contra outros envolvidos.
Depois de anos de recursos e manobras legais, a reaparição dos empresários argentinos devolve ao FIFAgate um protagonista que parecia inalcançável. A defesa do futebol diante das câmeras não acontecerá em campo, mas nas salas de audiência do Brooklyn, onde se decide um legado de transparência — ou a falta dela — que ainda pesa sobre o esporte mais popular do planeta.
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