O longa “Zico, o Samurai de Quintino”, dirigido por João Wainer, trabalha aspectos pouco revisitados da trajetória do maior ídolo do Flamengo. Longe de compilar apenas lances antológicos, o filme investiga a decisão que surpreendeu o mundo da bola em 1991: aos 38 anos, o craque trocou a Gávea pelo desconhecido Sumitomo Metals, equipe de fábrica que ainda disputava a segunda divisão amadora do Japão.
Além dos dribles: o peso da lesão e da Copa de 86
No documentário, Zico revisita o choque de agosto de 1985, quando sofreu entrada dura do zagueiro Márcio Nunes, do Bangu, pelo Campeonato Carioca. O golpe no joelho esquerdo comprometeu suas condições físicas e influencia até hoje a percepção sobre o fim da sua carreira.
Mesmo sem estar 100%, o camisa 10 aceitou a convocação para o Mundial de 1986. A decisão, que ele admite ter sido contra a própria intuição, culminou no pênalti desperdiçado diante da França, lance que sintetizou a frustração daquela Seleção e marcou o atleta de forma injusta.
Do Maracanã a Kashima: mudança de rota
O filme mostra que a busca por um “novo começo” levou o Galinho ao Japão, onde ergueria a camisa 10 do Sumitomo Metals. A pequena Kashima, cidade industrial e pouco conectada ao eixo esportivo do país, tornou-se palco de uma transformação radical. Sob liderança do brasileiro, o clube foi rebatizado como Kashima Antlers e iniciou a caminhada que o colocaria entre as forças do futebol profissional japonês.
Imagem: Reprodução
Impacto esportivo e legado
Ao contextualizar o movimento, Wainer relembra que o título mundial obtido sobre o Liverpool em Tóquio, em 1981, já havia projetado Zico na Ásia. Dez anos mais tarde, o retorno ao arquipélago contribuiu para popularizar o esporte local e fortalecer uma equipe que, antes dele, sequer figurava entre as mais cotadas do país.
Vozes em cena
- Ex-companheiros como Júnior e Paulo César Carpegiani analisam etapas decisivas da carreira.
- Ronaldo Fenômeno revela ter encontrado em Zico a principal referência de infância.
- Carlos Alberto Parreira participa dos debates que pontuam os altos e baixos do camisa 10.
- O jornalista Mauro Beting, autor da biografia “Zico 70”, contribui na leitura crítica da obra.
Recorte íntimo
Imagens de Super-8, fotografias de família e vídeos caseiros adicionam camadas pessoais ao personagem. O resultado é um retrato que vai do menino de Quintino ao mentor dos Antlers, costurando vitórias, frustrações e escolhas que redefiniram não só o fim de sua carreira, mas também parte do futebol nipônico.









































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