O retorno do Arsenal a uma final da Champions League, 20 anos após a primeira aparição, vai além do aspecto esportivo. A campanha até o jogo decisivo de 30 de maio contra o Paris Saint-Germain reacende uma relação construída com milhões de torcedores africanos desde o fim dos anos 1990, quando o clube se tornou símbolo de representatividade negra na Premier League.
Raízes de uma paixão continental
A influência começou na era Arsène Wenger. Entre 1998 e 2004, formou-se um elenco multicultural que empilhou três títulos ingleses, incluindo a histórica sequência invicta de 49 partidas. Atletas como Thierry Henry, Sol Campbell, Patrick Vieira, Kolo Touré e Nwankwo Kanu transformaram os “Gunners” em referência para jovens africanos que, pela primeira vez, se viam refletidos em massa na principal liga da Inglaterra.
Foi também o período em que a Premier League passou a ser transmitida regularmente no continente via satélite, ampliando o alcance do clube. O resultado dessa combinação ainda se percebe hoje: não é raro encontrar camisas vermelhas em cidades como Nairóbi, Lagos ou Adis Abeba.
Novo elenco mantém a identidade
A semifinal vencida sobre o Atlético de Madrid contou com cinco titulares negros, entre eles:
- Bukayo Saka – inglês, filho de nigerianos, autor do gol da classificação;
- Gabriel Magalhães – brasileiro, destaque na zaga;
- William Saliba – defensor francês, filho de camaronesa;
- Eberechi Eze – meio-campista nascido na Inglaterra, pai e mãe nigerianos;
- Myles Lewis-Skelly – jovem inglês de origem caribenha.
A presença de atletas com ascendência africana ajuda a manter vivo o senso de identificação. Para muitos torcedores, porém, o sentimento já vai além da cor da camisa ou da origem dos jogadores. “Agora o time é amado pelo que ele é”, resume Robbie Lyle, criador do canal Arsenal Fan TV, que acompanha a torcida em diferentes países africanos.
Imagem: Reprodução
Impacto esportivo imediato
O entusiasmo do continente cresce na mesma proporção do momento esportivo em Londres. Além da possibilidade de conquistar a primeira Liga dos Campeões, o Arsenal lidera a Premier League com cinco pontos de vantagem sobre o Manchester City, embora tenha um jogo a mais. A reta final promete definir se a equipe encerrará um jejum doméstico de 22 anos e levantará dois troféus de peso em uma mesma temporada.
Próximos compromissos
- Premier League – últimas rodadas contra adversários que ainda lutam por metas próprias, cenário que deve manter a pressão até o apito final;
- Final da Champions – 30 de maio, frente ao PSG, num duelo que pode selar o primeiro título europeu dos Gunners.
Se conquistar um ou ambos os títulos, o clube deve consolidar ainda mais a sua base global de torcedores – especialmente na África, onde a relação, plantada há mais de duas décadas, floresce a cada vitória.









































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