Um estudo do Aspen Institute concluiu que a cidade de Nova York e parte do norte de Nova Jersey enfrentam carência de locais para a prática de futebol, fenômeno descrito como “desertos de futebol”. A escassez afeta principalmente bairros do Bronx, Brooklyn e Queens, além de Newark, e limita o acesso de crianças e adolescentes ao esporte.
Demanda supera oferta
De acordo com o relatório, 250 mil crianças já jogam futebol na região metropolitana de Nova York, enquanto outras 150 mil demonstram interesse em participar. No Brooklyn, 110 mil jovens disseram ter jogado ou desejam jogar; no Queens, são 85 mil, e no Bronx, 63 mil.
O documento aponta que a popularidade de clubes como Real Madrid, Barcelona e New York City FC, cujos jogos estão disponíveis por streaming, alimenta a procura por espaços que não existem em número suficiente.
Custos crescentes e mercado paralelo
Além da falta de campos, o estudo identifica custos cada vez mais altos para praticar o esporte. Famílias gastaram, em média, 46% a mais com o principal esporte dos filhos em 2024 do que em 2019, o dobro da inflação do período. Entre os jovens entrevistados, 32% citaram o preço como o aspecto de que menos gostam no futebol.
O relatório também denuncia a revenda irregular de permissões de uso de campos. O Departamento de Parques e Recreação afirmou ter cancelado autorizações e reforçado as regras de inscrição on-line para coibir a prática. Fiscalizações presenciais buscam garantir que o grupo autorizado seja, de fato, quem utiliza o espaço.
Diferenças de gênero e renda
Meninas representam apenas 38% dos jogadores de futebol do ensino médio na cidade de Nova York e 42% no norte de Nova Jersey, índices abaixo da média nacional de 45%. Há ainda desigualdade no deslocamento até os treinos: 86% dos atletas de alta renda vão de carro, contra 21% dos de baixa renda.
Imagem: Reprodução
Iniciativas em andamento
A Laurie M. Tisch Illumination Fund, que financiou o estudo, constrói em parceria com a Street Soccer USA um novo campo no Queens, previsto para inauguração nas próximas semanas. Segundo a filantropa Laurie M. Tisch, coproprietária do New York Giants, o projeto busca oferecer oportunidade de prática “bem ali, no bairro” das crianças.
Pausa nas peladas espontâneas
O diretor de pesquisas do programa Esporte e Sociedade do Aspen Institute, Jon Solomon, alerta que as partidas informais diminuíram. “Futebol exige apenas bola e espaço, mas perdemos a cultura de deixar as crianças jogarem por conta própria”, observou.
O relatório foi elaborado em meio à preparação da região para receber jogos da Copa do Mundo de 2026, evento cujos ingressos registram preços elevados e que levou a NJ Transit a anunciar tarifa de US$ 150 (R$ 744) para viagens de ida e volta ao MetLife Stadium nos dias de partida.









































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