São Paulo – Um grupo de voluntários partiu na manhã de 1º de maio do Horto Florestal, na zona norte da capital paulista, para a Expedição Transmantiqueira 2026. A caminhada pretende marcar e divulgar quase 1.000 quilômetros de trilha entre São Paulo e Ibitipoca (MG).
Três participantes percorrerão todo o trajeto, enquanto outros 70 inscritos, até o fechamento desta reportagem, devem se revezar em diferentes trechos. O objetivo é transportar uma “pegada” simbólica que, ao longo do caminho, servirá de sinalização preliminar da futura rota Transmantiqueira.
Projeto maior: nascimento da “BR3”
No mesmo dia e horário da largada paulista, o coronel da reserva e ex-chefe do Parque Nacional de Itatiaia Luiz Aragão – idealizador da Transmantiqueira – iniciou, no Rio de Janeiro, a trilha Volta ao Rio, estimada em 2.400 quilômetros. Somada à Transmantiqueira e à Transespinhaço (740 km já percorridos por Aragão em 2024, com previsão de expansão para 1.200 km), a rede chegaria a aproximadamente 4.000 quilômetros.
O conjunto dessas três rotas é chamado informalmente de BR3, referência à antiga rodovia Rio–Minas (hoje BR-040) celebrada na canção “BR3”, de Tony Tornado, e à Triple Crown norte-americana, formada pelas trilhas Appalachian (3.520 km), Pacific Crest (4.260 km) e Continental Divide (5.150 km).
Desafios das trilhas de longo curso no Brasil
A tradição internacional considera que percursos com pelo menos 1.000 quilômetros merecem o título de trilha de longo curso. No Sudeste brasileiro, entretanto, a densidade populacional, a presença de estradas e a falta de pontos de apoio — como hospedagens e locais de reabastecimento — reduzem as opções de caminhos exclusivamente pedestres.
Imagem: Reprodução
Organizadores defendem que a participação de caminhantes, mesmo em segmentos curtos durante férias ou feriados, é essencial para consolidar as rotas, atualizar arquivos de navegação (tracklogs) e estimular a economia de pequenas comunidades ao longo do percurso.
A Expedição Transmantiqueira 2026 deve avançar até o Parque Estadual de Ibitipoca nos próximos meses, enquanto Luiz Aragão prevê até três meses de caminhada para concluir a Volta ao Rio, que termina aos pés do Cristo Redentor, no Corcovado. Concluídas e sinalizadas, as três trilhas formariam a primeira “tríplice coroa” de longo curso totalmente brasileira.









































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