São Paulo – O brasileiro Robson de Oliveira, 36 anos, operário da Scania e morador do ABC paulista, tornou-se destaque internacional ao interromper sua própria prova para socorrer o norte-americano Ajay Haridasse, que cambaleava a cerca de 400 metros da linha de chegada da Maratona de Boston, realizada em 20 de abril de 2026.
Gesto de solidariedade
Oliveira reduziu o ritmo, amparou Haridasse pelo braço e, com a ajuda do norte-irlandês Aaron Beggs, conduziu o corredor até os postos de atendimento. A ação viralizou nas redes sociais e foi repercutida por veículos de imprensa de vários países como exemplo de espírito esportivo.
Resultado competitivo
Mesmo sacrificando tempo precioso, o paulista concluiu os 42,2 km em 2h44min26s – pouco acima de seu recorde pessoal (2h43min46s em Buenos Aires, 2024) e abaixo do tempo obtido em sua primeira participação em Boston, em 2025 (2h45min49s). A marca o coloca na faixa semiprofissional da distância.
Rotina de turnos e treinos
Técnico de produção formado pelo Senai, Oliveira opera máquinas que fabricam motores para caminhões. Recebe cerca de R$ 10 mil brutos mensais e cumpre escalas alternadas, inclusive na madrugada. Quando trabalha à noite, treina logo após o expediente antes de retornar para casa.
Perfil do corredor
Filho de pedreiro e de empregada doméstica vindos do Ceará, o atleta iniciou-se nas corridas há dez anos, em uma prova de 5 km em São Bernardo do Campo, concluída em aproximadamente 21 minutos. A estreia nos 42 km ocorreu no outono de 2019, na Maratona de São Paulo, com 3h26min03s.
Em 2024 fez a primeira viagem internacional, para a Maratona de Buenos Aires. Para competir novamente em Boston este ano, aproveitou o feriado prolongado de Tiradentes, realizando um bate-volta aéreo que evitou ausências no trabalho.
Equipamentos e gastos
Oliveira corre com tênis de placa de carbono adquiridos em promoções e costuma usar peças de uma única marca nas provas principais. Em Boston, vestia equipamentos Adidas da cabeça aos pés, todos pagos do próprio bolso.
Imagem: Reprodução
Repercussão nas redes e ausência de patrocínio
Depois da prova, convites para programas de televisão e o aumento das interações fizeram suas publicações no Instagram saltarem de poucas centenas para dezenas de milhares de curtidas. Apesar da visibilidade, o corredor ainda não possui patrocínio fixo. Eventualmente recebe isenção de inscrição ou hospedagem, como deve ocorrer na Maratona Monumental de Brasília, em novembro; o transporte, porém, continua arcado por ele.
Ajuda recorrente
O episódio em Boston não foi isolado. Na Maratona do Rio de Janeiro de 2025, Oliveira já havia auxiliado outro participante que passou mal a cerca de 200 metros da chegada.
Posicionamento da empresa
A Scania declarou “valorizar atitudes que contribuem para um mundo melhor” e afirmou que o ato do funcionário refletiu os valores da companhia, mas informou não patrocinar atletas individualmente, mantendo apenas programas internos de incentivo ao esporte.
Casado com uma corredora deficiente auditiva, pai de três filhos e fluente em Libras, Robson de Oliveira segue conciliando turnos de fábrica, treinos e o calendário de maratonas, agora sob o olhar de uma audiência global.









































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