Começa nesta terça-feira (14), no Tribunal de San Isidro, região metropolitana de Buenos Aires, o segundo julgamento que apura responsabilidades pela morte de Diego Armando Maradona, ocorrida em 25 de novembro de 2020.
O novo processo foi marcado após a anulação do primeiro, em maio de 2025, quando se descobriu que a juíza Julieta Makintach participava de um documentário clandestino sobre o caso. A irregularidade derrubou 20 sessões e invalidou 44 depoimentos colhidos ao longo de dois meses e meio.
Estrutura do novo julgamento
Serão pelo menos 30 audiências, realizadas duas vezes por semana, com previsão de durar até julho. Cerca de 120 testemunhas devem ser ouvidas. De acordo com o promotor Patricio Ferrari, a acusação alterou sua estratégia para impedir que o conhecimento prévio das defesas comprometa o andamento do processo.
Os réus e as acusações
Sete profissionais de saúde — médicos, psicóloga, psiquiatra e enfermeiros — respondem por homicídio com dolo eventual, crime que prevê de oito a 25 anos de prisão. Entre os principais acusados estão o médico pessoal Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov e o psicólogo Carlos Díaz. Uma oitava profissional será julgada separadamente.
A defesa sustenta que o ex-jogador morreu por causas naturais. “Está descartada a existência de um plano doloso para matar Maradona”, afirmou Vadim Mischanchuk, advogado de Cosachov, à rádio Con Vos.
Contexto da morte
Maradona, campeão mundial com a Argentina em 1986, tinha 60 anos e se recuperava em casa, em Tigre, de uma neurocirurgia quando sofreu crise cardiorrespiratória e edema pulmonar. A morte provocou comoção nacional: centenas de milhares de pessoas saíram às ruas durante o luto coletivo em plena pandemia de covid-19.
Imagem: Reprodução
Consequências do escândalo de 2025
No julgamento anulado, cenas de Makintach percorrendo corredores do tribunal ao som de música eletrônica apareceram no filme “Justiça Divina”. A magistrada foi afastada e, em novembro, perdeu o cargo em julgamento político. O episódio dominou as manchetes no país e no exterior.
Debate sobre a internação domiciliar
Durante as audiências anteriores, especialistas e familiares questionaram a decisão de tratar o ex-jogador em casa. Fernando Burlando, advogado das filhas Dalma e Gianinna, classificou a conduta da equipe como “plano desumano de resultado eficaz”. Para Jana Maradona, quarta filha do ídolo, apenas três dias após o falecimento o Ministério Público já considerava a hipótese de homicídio.
Com a retomada do julgamento, a Justiça argentina tenta esclarecer se houve negligência grave ou intenção dos profissionais de saúde na morte de uma das maiores figuras do futebol mundial.









































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