Faltando menos de dois meses para o início da Copa do Mundo de 2026, marcada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, o setor de turismo norte-americano monitora com cautela o movimento de visitantes estrangeiros. A expectativa é que o torneio ajude a reverter a queda no fluxo internacional registrada em 2025.
A consultoria Tourism Economics projeta a chegada de mais de 1,2 milhão de turistas de fora dos EUA durante o campeonato, dos quais cerca de 750 mil não viajariam ao país se não fosse o evento. O incremento estimado é de 1,1 ponto percentual nas entradas internacionais, mas a empresa revisou recentemente para baixo a velocidade de recuperação do setor.
Torcedores divididos
O australiano Brett Shields, 59, já garantiu presença. Com autorização de viagem obtida em visitas anteriores à filha que mora em São Francisco, ele pretende acompanhar os jogos da Austrália na própria cidade e em Seattle. O conterrâneo John Milce, 76, veterano de seis Copas desde 1966, desistiu: teme ser barrado na fronteira após críticas online ao ex-presidente Donald Trump e às verificações de redes sociais propostas pelo governo norte-americano. “Com os custos envolvidos, era um risco muito grande”, afirmou.
Barreiras de entrada
Restrições de visto, revistas de celulares em fronteiras, alto preço de ingressos e passagens e receio da atuação de agentes imigratórios aparecem entre os principais entraves. Shields admite que, sem visto válido e estadia gratuita, “dificilmente viajaria nas condições atuais”.
Países como Haiti e Irã integram a lista de 19 nações cujos cidadãos continuam proibidos de entrar nos EUA, impossibilitando a presença de torcedores em jogos de suas seleções. Já viajantes de Costa do Marfim e Senegal, por exemplo, podem ter de depositar fianças de até US$ 15 mil para conseguir o visto.
Expectativas nas sedes
Em Seattle, a Visit Seattle projeta aumento de 30% no número de visitantes domésticos em relação a 2024, mas queda de 17% nos estrangeiros — puxada principalmente por menos canadenses.
Boston registra elevação aproximada de 11% na demanda hoteleira para junho comparada ao mesmo mês de 2025. Segundo Martha Sheridan, executiva-chefe da Meet Boston, a venda de ingressos para os sete jogos no Gillette Stadium divide-se quase igualmente entre moradores da Nova Inglaterra, visitantes de outros estados e viajantes de fora do país.
Em Dallas, o porta-voz da Visit Dallas, Zane Harrington, aposta que “a maioria” das reservas será feita nos dois meses que antecedem o torneio ou já durante a competição, à medida que as equipes avançarem.
Imagem: Reprodução
Hotéis e aluguéis de curta duração
Nas últimas semanas, a Fifa liberou milhares de quartos originalmente bloqueados nos três países anfitriões, enquanto comitês locais reduziram a dimensão de festivais para torcedores em Nova Jersey, São Francisco e Seattle. Para Jamie Lane, economista-chefe da plataforma de dados AirDNA, ajustes dessa natureza são comuns em grandes eventos e não indicam, necessariamente, procura abaixo do esperado. A entidade máxima do futebol também negou relação entre a redução dos festivais e baixa demanda, informando que algumas atividades serão descentralizadas.
Levantamento da AirDNA mostra forte crescimento nas reservas de locações de curta duração em dias de partidas da fase de grupos. As altas médias vão de 564% em Monterrey (México) e 209% na Cidade do México a 171% em Kansas City, 152% em Miami e 52% em Toronto. São Francisco teve aumento de 28%; a San Francisco Travel Association atribui o desempenho modesto à guerra no Irã, que dificulta a vinda de torcedores de Jordânia e Qatar, seleções que jogarão na cidade.
Em Nova York, onde o aluguel de temporada é rigidamente regulamentado, a Hotel Association of New York City relata reservas “praticamente estáveis” em comparação com o ano anterior.
Projeções incertas
Sylvia Weiler, presidente de destinos globais da empresa de marketing Sojern, destaca que a Copa estruturada em três países e com número recorde de 48 seleções torna a previsão de fluxos de visitantes mais complexa. “Sabíamos o que esperar em linhas gerais, mas sempre houve uma margem de incerteza”, disse.
Com o apito inicial se aproximando, organizadores e empresários seguem contando com um impulso de última hora para transformar as arquibancadas cheias em hotéis lotados e ruas movimentadas.









































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